152 ANOS DE PRESBITERIANISMO NO BRASIL

A Igreja Presbiteriana do Brasil comemorou neste dia 12 de agosto de 2011 os seus 152 anos de existência no Brasil, embora saibamos que a presença reformada em solo tupiniquim antecede, e muito, esta data. Pois foi em 21 de março de 1557 que houve a primeira Santa Ceia de orientação reformada no Brasil, mais precisamente na baía da Guanabara, ministradas pelo Rev. Pierre Richier e seu auxiliar, o Rev. Guillaume Chartier, pastores enviados pessoalmente pelo próprio João Calvino. Quase cem anos depois, entre os anos 1637 e 1644, o nordeste brasileiro viveu forte influência da Igreja Reformada quando a região de Pernambuco foi comandada por Maurício de Nassau. Portanto, a fé reformada ronda as nossas terras desde o século XVI, ou seja, há 454 anos.

Mas foi em 12 de agosto de 1859 que o Rev. Ashbel Simonton, missionário estadunidense, chegou ao Brasil para plantar a Igreja Presbiteriana. Seu ministério aqui foi de apenas oito anos quando veio a falecer de febre amarela aos 34 anos de idade. Mas foi o próprio Deus, em sua fidelidade, que plantou e preservou o povo presbiteriano brasileiro e hoje a Igreja Presbiteriana do Brasil é uma grande e respeitada denominação.

Após toda esta trajetória vivenciada pela fidelidade pactual do Senhor Deus, seria oportuno refletir um pouco sobre a relevância da IPB em solo brasileiro e qual seria o seu legado. Acredito que os desafios são muitos, e há muita coisa boa a se imitar de nossos pais do passado. Por este motivo, quero destacar aqui apenas quatro desafios que devemos preservar como igreja no Brasil, existente na sociedade brasileira:

1) Fidelidade na pregação da Palavra. Durante a jornada do povo de Deus ao longo dos tempos, muitas foram, e ainda são, as tentativas de se esvaziar as Escrituras Sagradas de seu conteúdo básico. As heresias, as superstições e o humanismo buscam inserir ideologias enfraquecedoras da firme, irremovível e inabalável Lei do Senhor. E não há como negar a triste constatação de muitos pregadores presbiterianos que subscrevem tais idéias alienígenas à nossa única regra de fé e de prática. Por isso, nosso desafio continua em desmascarar todas as bravatas e sofismas que, em nome do pragmatismo ou do intelectualismo estéril, tentam desonrar a preciosa revelação divina. Portanto, a Igreja Presbiteriana deve continuar fiel na pregação da Palavra!

2) Comportamento ilibado pela santificação. O mundo está cansado dos teatros e das dissimulações decorrentes de igrejas que nada mais são do que sepulcros azulejados em picadeiros psicodélicos. É preciso compreender de uma vez por todas que o verdadeiro brilho diante das multidões não é aquilo que a carne, o mundo ou Satanás podem replicar. O verdadeiro brilho que ofusca as multidões é a vida de piedade e de obediência à Lei do Senhor Deus. Vidas impolutas, vidas santas! É disso que o mundo necessita para imitar. Portanto, a Igreja Presbiteriana deve continuar santa neste mundo depravado!

3) Engajamento na evangelização mundial. Esta obrigação que recai sobre cada crente é indiscutível. Neste sentido, é ato de infidelidade não se envolver com a proclamação das virtudes do nosso Deus aos pecadores. O próprio missionário Simonton, nosso pioneiro, foi um instrumento divino para a plantação de nossa igreja no Brasil. Ele mesmo foi desafiado à evangelização mundial por Charles Hodge e enviado ao Rio de Janeiro pela Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), entidade que já mantinha vários postos missionários na Índia, na Tailândia, na China, no Japão e na Colômbia desde 1837. Este é o grande exemplo que temos dos nossos antepassados. Nisto devemos também ser fiéis. Portanto, a Igreja Presbiteriana deve continuar engajada na evangelização ao redor do mundo!

4) Coerência quanto aos parâmetros teológicos. Hoje em dia, o termo evangélico é sinônimo de superficialidade ou de polissemia doutrinária. Não há mais robustez teológica nem compromisso com a Verdade. O que se vê e o que se ouve são inovações nocivas ao zelo peculiar às práticas daquilo que pertence ao Senhor Deus e à sua Palavra. Um exemplo disto é a noção atual de autoridade, presente nos títulos esdrúxulos que identificam aqueles que intitulam a si mesmos como apóstolos, patriarcas ou arcanjos. Além disso, o liberalismo inoculado mansamente envenena a muitos contra tudo aquilo que prioriza os valores morais e éticos de Deus. Ou seja, relativiza o pecado para adequar a teologia às práticas prazerosas dos membros, dando-lhes conforto na depravação. Isso se vê no cotidiano, no discurso e nas liturgias lamentáveis. Não nos esqueçamos de que somos reformados, conseqüentemente possuímos uma teologia muito bem expressa por meio dos nossos símbolos de fé que, no ingresso à igreja, prometemos observar ao longo de nossa vida como crentes. Portanto, a Igreja Presbiteriana deve continuar coerente à sua teologia expressa em seus símbolos de fé!

É importante concluir dizendo que o conjunto destas práticas não deve ser visto como um fim em si mesmo, mas todas elas, assim como todas as nossas demais ações e pensamentos, devem ser unicamente para a glória devida ao nosso Deus, o motivo da nossa existência como igreja e o preservador desta obra até ao Dia do Senhor Jesus.

Que neste ano a mais de vida, que nas comemorações dos 152 anos de existência no Brasil, reflitamos sobre a nossa identidade e o nosso propósito neste mundo.

Sola Scriptura.
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A foto acima é da Primeira Igreja Presbiteriana de Roraima onde pastoreio há 21 anos.

O SÍNODO SETENTRIONAL

Aconteceu entre os dias 5 e 8 deste mês a XLVIII Reunião Ordinária do Sínodo Setentrional, o maior do Brasil em extensão geográfica (Amapá, Amazonas, Pará e Roraima). Este tipo de Concílio é responsável pelos Presbitérios que, por sua vez, são responsáveis pelos Conselhos das igrejas locais. Cada presidente de Sínodo compõe, com uma parte da mesa do Supremo Concílio, a Comissão Executiva deste. O tempo de mandato é de dois anos, quando ocorre a reunião ordinária, sempre em anos ímpares.




A mesa do Sínodo Setentrional ficou assim composta:

Presidente: Rev. Alfredo de Souza
Vice-Presidente: Rev. Alcedir Sentalin
Primeiro-Secretário: Rev. Heleno Guedes Filho
Segundo Secretário: Rev. Ademir José de Souza Júnior
Secretário Executivo: Rev. Jonas Moreira Valente Filho
Tesoureiro: Rev. Paulo César Belan


Que o Senhor Deus nos abençoe neste colendo concílio para o biênio 2011 a 2013 quanto à execução e deliberações sobre esta vasta região do nosso país, bem como nas decisões tomadas nas reuniões executivas do Supremo Concílio.

Sola Scriptura.

JÁ ME CHAMARAM DE FANÁTICO!

Tenho discipulado nestes últimos meses um aluno meu da Universidade. Semana passada ele me fez uma pergunta interessante sobre fanatismo religioso e minha resposta foi trivial ao explicar o significado do termo e suas implicações. Depois disso eu comecei a pensar no assunto e me lembrei de que já fui rotulado de tantas coisas como, por exemplo, de conservador, de direitista, de machista (aliás, veja os comentários sobre uma postagem minha aqui), de fundamentalista, de puritano, de antihumanista, de facista e, finalmente, de fanático. Surgiu em minha mente a questão sobre o porquê algumas pessoas pensarem isso de mim, por que elas vinham em mim um comportamento que transparecia fanatismo religioso?

Comecei a refletir e pensei: bem, se ser fanático significa ser agressivo, cheio de rancor, desrespeitoso, ameaçador, preconceituoso, violento, estreito mentalmente; se ser fanático é usar de excessiva irracionalidade quanto às motivações teóricas, religiosas ou políticas; se ser fanático é não saber ouvir e nem debater com respeito; se ser fanático é beirar o delírio; então posso afirmar com toda tranqüilidade que não sou fanático e sinto-me ofendido com este rótulo.

Por outro lado lembrei que o fanatismo para muitos significa abraçar, obedecer e preservar a Lei de Deus na família e na vida como um todo. Numa cultura tão relativizada como a nossa que alarga os limites do pecado e estreita as fronteiras da santidade, procurar nunca mentir ou sempre guardar o Domingo como dia do Senhor, apenas para citar dois hábitos, pode ser visto como fanatismo moral e religioso respectivamente. E o pior de tudo é que muitas vezes este tipo de julgamento surge dentro da própria Igreja.

Neste sentido eu diria que se para alguns fanatismo é sinônimo de obedecer a Deus, ou seja, se lutar pela virgindade até o casamento for fanatismo; se nunca adulterar, mesmo que mentalmente, for fanatismo; se houver disposição para largar o emprego e o glamour pessoal para servir ao Senhor for fanatismo; se perdoar qualquer tipo de agressão for fanatismo; se acreditar que a pena de morte é um princípio divino contido nas Escrituras no Velho e no Novo Testamento for fanatismo; se crer que o Senhor está no controle de tudo no universo for fanatismo; se, de minha parte, houver disposição à morte por amor de Jesus for fanatismo; se acreditar que existe um princípio de autoridade no mundo onde o homem é o cabeça da mulher for fanatismo; se entender que a Bíblia é a revelação inequívoca de Deus aos seus eleitos for fanatismo; em suma, se na busca da santidade extrema houver a obediência com todas as forças à vontade de Deus, cumprindo-as sem relativismo ético, moral ou cultural for fanatismo; então certamente serei o mais fanático dentre todos os estilos de vida existentes nessa terra.

Tudo para a glória do nosso Deus!

Sola Scriptura.
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