MAS QUE CULTO É ESTE? REFORMADO É QUE NÃO É!

Até a década de 1970 as liturgias utilizadas nos cultos não apresentavam tantos problemas como os que existem hoje. Mesmo no meio pentecostal, considerando as práticas culturais, não se via nada parecido com o que se faz atualmente. Mas há cinquenta anos houve uma enxurrada de esquisitices que começaram a desfigurar ainda mais o culto outrora relativamente simples.

Até mesmo nas igrejas de tradição reformada já se percebe a presença de práticas e costumes estranhos que nada têm a ver com as Escrituras. Isto ocorre porque estas igrejas, embora teoricamente reformadas, na prática utilizam o Princípio Normativo em detrimento do Princípio Regulador, este ensinado nos Símbolos de Fé.

Numa explanação rápida, Princípio Normativo, método proposto por Lutero, baseia-se em dois aspectos. O primeiro, na afirmação de que aquilo que não é proibido nas Escrituras é permitido no culto. Consequentemente temos o segundo que incentiva a utilização dos quatro sentidos humanos por parte da igreja no momento da adoração: a visão (aparatos e indumentária), o olfato (incenso), a audição (ouvir a pregação) e a fala (cânticos, leituras e orações). É por este motivo que o culto de tradição luterana é rico em rituais e na utilização de objetos litúrgicos.

Já o Princípio Regulador, este adotado pela tradição Reformada, afirma que aquilo que não encontramos nas Escrituras deve ser proibido no culto. Para uma compreensão melhor, vejamos o que diz a Confissão de Fé de Westminster sobre o assunto no capítulo 21, item primeiro:

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.

Vejamos também o que afirma a Confissão Batista Londrina, no capítulo 22, item primeiro diz:

A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre todos, que é justo, bom, e faz o bem a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido, de todo o coração, de toda alma, e com todas as forças. Mas a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não descrito nas Sagradas Escrituras.

Portanto, o culto reformado utiliza apenas dois sentidos humanos: a audição (ouvir a pregação) e a fala (cânticos, leituras e orações). Muitos inconformados com esta simplicidade extrema dirão que os sacramentos são manifestações que ensinam por meio da visão. De fato, isto é totalmente verdadeiro. Todavia, quem instituiu os sacramentos foi o Senhor Jesus, por isso devem ser realizados, lembrando que não há mais nada além dos sacramentos como didática visual litúrgica, ou seja, a existência dos sacramentos não justifica a inserção de outras ações visuais que o Senhor não determinou.

Neste sentido, embora haja exceções, muitas igrejas reformadas no Brasil são muito mais influenciadas pela tradição luterana do que pela tradição reformada. E para provar isso, trago apenas algumas práticas da atualidade que passaram a fazer parte do culto, mas que não são ordenadas por Deus nas Escrituras com respeito ao culto cristão.

1. A indumentária: A vestimenta parece ocupar um lugar de destaque nos cultos solenes de algumas igrejas quando o pregador deve aparatar-se para dirigir o culto ou para expor as Sagradas Escrituras. Refiro-me ao uso obrigatório da toga, da gola clerical ou do terno e gravata, pois caso não esteja assim vestido, o liturgo e o pregador são proibidos de subir ao púlpito para desempenhar o seu ministério. Nada contra estas vestimentas em si, são até elegantes, também não se está defendendo aqui o relaxamento ou a displicência no traje, pois há a necessidade de se estar decentemente trajado para a ocasião do culto como forma de respeito ao Senhor Deus e aos demais presentes. O problema é quando o liturgo e o pregador se destacam dos demais por aquilo que está trajando. É claro que encontramos regiões no Brasil onde a utilização do terno e gravata é bastante comum quando a maioria dos homens vai assim trajada para adorar, neste caso, não há problema algum o pregador estar vestido assim uma vez que não há distinção ou exclusão diante dos demais presentes na congregação. O problema é quando vamos a certas regiões do Brasil onde o calor ou os costumes locais impedem a utilização do terno e gravata, neste caso, o traje se torna um elemento distintivo e até mesmo excludente. E isto é um equívoco diante da simplicidade requerida no momento da adoração.

2. Avisos e saudação aos visitantes: Em muitas igrejas são comuns os avisos e saudações como parte da liturgia. Mas se pensarmos que o culto deve conter somente aquilo que glorifica ao Senhor Deus pela centralidade de Cristo, pergunto: em que adoramos a Cristo ao trazer informes e saudar os visitantes? Ninguém pode negar a quebra do ritmo da adoração e da glorificação do Criador. Ninguém pode negar que há a descentralização de Cristo para a centralização do homem. E isso em nada glorifica a Deus no momento da liturgia.

3. Imagens de fundo na projeção das músicas: Na projeção das músicas por meio do projetor multimídia, imagens são utilizadas como “pano de fundo”. São lindas paisagens, flores, plantas, pequenos animais, Bíblias abertas ou, lamentavelmente, imagens de Cristo ou do Espírito Santo representado por uma pomba (numa quebra frontal do segundo mandamento). Tais imagens tiram a atenção de muitos que se desconcentram daquilo que estão fazendo. Em vez de focarem o coração e a mente na adoração, se distraem ao admirar a beleza da imagem projetada. Isto é uma quebra da concentração naquilo que é o principal quando a distração surge por causa daquilo que é absolutamente desnecessário.

4. Pantomimas e encenações: Muitos pastores amam aplicar a exposição das Escrituras utilizando o recurso da pantomima ou do teatro sob a alegação de que a compreensão da mensagem deve ser facilitada. Todavia, excetuando a ministração dos sacramentos de Cristo, nada mais deve ser encenado no culto, uma vez que estas encenações retiram a solenidade geradora do temor e do profundo respeito diante da presença especial do Senhor Deus cultuado. Ou seja, o teatro e a pantomima são muito mais entretenimento do que comunicação das Escrituras adequada ao culto solene.

5. Culto Infantil: Outra prática estranha às Escrituras é o conhecido culto infantil. A justificativa é uma só, a criança não pode assimilar a pregação e, ao mesmo tempo, deve ser treinada a se comportar no culto dos adultos. Temos que reconhecer que a presente justificativa para esta prática não é bíblica, mas psicopedagógica. E esta imposição ocorre em detrimento da ordem do Senhor que deseja a presença das crianças no culto solene inteiro, e não só das pequeninas, mas também das que ainda mamam (2 Crônicas 20.13; Josué 8.35; Ne 12:43; Joel 2:15). Portanto, retirar as crianças do culto para um lugar à parte é totalmente estranho ao Evangelho.

Diante do exposto, quero concluir com duas afirmações. Primeiro, desafio os defensores de algum item acima descrito para que apresentem textos nas Escrituras Sagradas que justifiquem tais costumes. Lembrando que o nosso princípio como crentes reformados é o Princípio Regulador (não faz parte do culto aquilo que Deus não ordenou). Segundo, afirmar que o problema destas inserções ocorre porque se convencionou que estas “em nada ferem o objetivo principal da adoração, pelo contrário, auxiliam no decorrer da liturgia” é um erro do ponto de vista da doutrina reformada. Ao contrário, constataremos que as Escrituras e os Símbolos de Fé são violados naquilo que regulam quando se insere aquilo que o Senhor não determinou.

Sejamos honestos, se somos confessionais, então devemos ser criteriosos em tudo que fazemos no Reino de Deus, principalmente quando reunimos a Igreja no dia do Senhor para adorá-lo.


Sola Scriptura.

ENTÃO É NATAL...

Muito se discute sobre a comemoração do Natal quando igrejas realizam apresentações, encenações ou mesmo o culto natalino. Reconheço que o tema não é simples de se resolver uma vez que muitos cristãos estão divididos acerca do tema. Por exemplo, não nego que haja elementos do Evangelho envolvidos na celebração natalinas e é nesta constatação que se apoiam os defensores do 25 de Dezembro e das comemorações que circundam esta data. Mas seria isto suficiente para justificar o envolvimento das igrejas com as celebrações natalinas? Tentarei responder a esta pergunta ao longo deste texto reconhecendo, claro, que o terreno é minado. Também sei que haverá todo tipo de reação e, neste sentido, lamento por aqueles que se sentirem ofendidos, embora não seja esta a minha intenção principal. Desejo apenas ser o mais honesto possível com o objetivo de promover a reflexão e o debate respeitoso sobre o assunto.

Inicio citando a intrigante frase atribuída a Orígenes que diz:

"... não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo".[1]

A frase acima evidencia a ausência da Missa do Galo ou de qualquer serviço religioso natalino até meados do século III, época de Orígenes. A própria Igreja Católica Romana entende que:

Quanto à data tradicional de 25 de Dezembro, já adoptada em Roma no ano 336, terá sido escolhida como forma de substituir, por uma festa cristã, a festa pagã do Natalis Solis Invictis, instituída pelo imperador Aureliano, em 274, celebrada no Solstício de Inverno, 9 meses depois do Equinócio da Primavera, a 25 de Março, segundo o Calendário Juliano. Na Igreja do Oriente, o Natal, como manifestação ou “Epifania” de Jesus, celebra-se no dia 6 de Janeiro; e mesmo hoje, em alguns países, como a Espanha, é neste dia que se trocam as prendas de Natal.

E o Natal como um todo? Bem, não são mais novidade os argumentos sobre a origem pagã dos festejos natalinos, já escrevi sobre isto. Todavia, eu os trago de volta para reforçar o meu argumento.

A data do 25 de Dezembro é explicada por Schaff-Herzog que diz:

As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século IV os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo Império e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século IV) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal a festa de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria muito especial. Agradava ao povo. Não deveria ser suprimida.[2]

A isto foi acrescentada a Missa do Galo uma vez que nos festejos pagãos que antecederam as comemorações natalinas a ave era vista como aquilo que anunciava com o seu canto o nascer do sol, divindade venerada após o longo período de inverno.[3]

Há quatro símbolos indeléveis nas festividades natalinas: a árvore, a guirlanda, o presépio e o Papai Noel. Vamos resumidamente avaliar cada um.

A árvore de Natal é amplamente utilizada em Dezembro embora não haja nenhuma ligação com o Evangelho de Cristo. Não há uma referência sequer no Velho ou no Novo Testamento que ordene ou incentive a utilização deste símbolo. Pelo contrário, como a árvore era local de adoração pagã ou era ela mesma adorada por muitos povos da antiguidade na época do Velho Testamento, Moisés advertiu o povo dizendo:

Moisés disse ao povo: —São estas as leis e os mandamentos a que vocês deverão obedecer todo o tempo que viverem na terra que o SENHOR, o Deus dos nossos antepassados, vai dar a vocês. Depois de expulsarem os povos daquela terra, arrasem completamente todos os lugares onde eles adoram os seus deuses, tanto nas montanhas como nas colinas e debaixo das árvores que dão sombra. Derrubem os altares, quebrem as colunas do deus Baal, cortem os postes-ídolos e queimem todas as imagens, para que ninguém lembre mais dos deuses daqueles povos. —Não adorem o SENHOR, nosso Deus, do jeito que aqueles povos adoram os seus deuses.[4]

E ainda:

Não estabelecerás poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do SENHOR, teu Deus, que fizeres para ti. Nem levantarás coluna, a qual o SENHOR, teu Deus, odeia.[5]

O profeta Oséias, séculos depois, registra os mesmos hábitos pagãos ligados à árvore ao relatar que os povos pagãos:

Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.[6]

É inegável o poder simbólico que a árvore exercia na antiguidade, fazendo com que o Senhor Deus ordenasse para que a Igreja no Velho Testamento não imitasse os costumes idólatras.

Mas a nossa velha conhecida árvore com suas cores e luzes tem origem em eventos mais recentes como nos povos nórdicos que adoravam o carvalho como símbolo de Odin e de seu filho Thor. No inverno estas árvores desfolhadas eram enfeitadas com o intuito de preservar a presença das divindades naqueles locais. Já os romanos trocavam ramos na época das calendas de Janeiro como sinal de sorte, costume este que foi adotado na Inglaterra para celebrar o Natal.

Mas foi a partir do século XVII com os alemães – antigos adoradores do pinheiro como ente forte e resistente na época dos rigorosos invernos – que as árvores passaram a ser enfeitadas com frutas, imagens de anjos, estrelas, pequenos brinquedos e velas acesas. Também foram os alemães que colocaram a árvore dentro de casa influenciando os ingleses no século XVIII e, posteriormente, o continente americano.

O uso da guirlanda, totalmente ausente no Evangelho de Cristo, tem origem entre os romanos que já ofereciam ramos como sinal de sorte conforme supracitado. Alguns destes ramos eram tecidos em forma de coroa (estefânia ou simplesmente guirlanda) para serem colocadas nas principais portas como forma de atrair saúde a todas as pessoas da casa, além de ser uma representação dos espíritos da natureza.

Já o presépio, tão comum entre nós, foi inventado no Natal de 1223 por Francisco de Assis que desejava adorar a José, Maria e o próprio Cristo. A encenação, que incluía um burro e uma vaca, era parte ativa na Missa do Galo. Anos mais tarde os nobres católicos passaram a montar a cena nas casas com a finalidade de adorar as imagens ali existentes.[7] O presépio, portanto, fazia parte do conjunto de imagens adoradas pelos católicos romanos.

Papai Noel não é outro senão São Nicolau de Mira da Ásia Menor que viveu no século IV. Sua fama foi disseminada na Holanda que o transformou em patrono da infância. A partir daí as crianças passaram a crer que o santo era responsável pelos presentes que recebiam no Natal. A atual imagem popular do Papai Noel com seu trenó foi criada pela Coca-Cola Company para fins comerciais.

Agora eu pergunto: o que tudo isto tem a ver com o Evangelho de Cristo? Sejamos honestos na resposta: absolutamente nada! E o mais constrangedor é ver tantos crentes defendendo o 25 de Dezembro como comemoração do nascimento de Cristo[8] e adoração por parte dos fiéis[9]. A apologia em favor do Natal é inócua e incoerente uma vez que possui a sua origem no paganismo. Veio de lá dos pagãos e a eles pertence! Esta é a razão porque os povos pertencentes às mais variadas religiões celebram o Natal. Da Venezuela ao Japão, da Papua Nova Guiné à Rússia, do Brasil à Tailândia, todos se encantam e comemoram as celebrações natalinas. Até mesmo os ateus desejam a paz, a harmonia, o amor e a solidariedade resumidos na frase Feliz Natal (felicitação que até hoje não sei o significado). Diante disto tudo alguns cristãos se gastam em afirmar que o Natal é de Cristo. Incoerência histórica numa luta inglória.

Há dois aspectos importantes que considero graves. Na verdade um grave e outro extremamente grave. O primeiro diz respeito à utilização dos símbolos natalinos no local do culto. Árvore enfeitada, guirlandas e presépios são de origem duvidosa. E por mais que os defensores digam que hoje tudo está ligado ao nascimento de Cristo, se fizermos uma análise mais profunda veremos que isso não é verdade. Em qualquer casa, em qualquer templo, em qualquer espaço urbano encontramos estes utensílios que são interpretados como elementos do espírito de natal, seja lá o que isto signifique. Por que então utilizar estes adornos no local da adoração à Cristo, adornos estes que nasceram e permaneceram no paganismo?

Não estou dizendo que a beleza da decoração utilizada no mobiliário urbano, nas lojas ou nos centros de compras não deva ser admirada. O que estou dizendo é que não é de bom tom trazer esta decoração ao local de culto ao Senhor Deus. Árvore, guirlanda e presépio são imagens e ídolos de divindades e do próprio Cristo. É claro que os crentes não adoram e nem veneram estas imagens, eu sei disso. Dificilmente veremos um crente se ajoelhando diante da árvore, da guirlanda ou do presépio. Mas isto não diminui o problema, pois, se pensarmos assim, então não é errado enfeitar o salão de culto com hóstias, com o esquadro e o compasso, com uma réplica da estátua do Cristo Redentor ou com o crucifixo contendo uma imagem de Cristo morto, afinal de contas não serão objetos de adoração.

O segundo e último ponto que considero gravíssimo é a violação do dia do Senhor com apresentações musicais e encenações. O culto solene foi instituído para adorar ao Senhor da forma como ele ordenou. E – a não ser que se aplique o princípio normativo do culto, posição diferente daquela que os reformados defendiam, a saber, o princípio regulador do culto – nada pode substituir o que diz a nossa Confissão de Fé:

A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.[10]

Também creio que os chamados cultos natalinos realizados em qualquer dia da semana são problemáticos por não haver nenhuma ordenança no Novo Testamento sobre este assunto. Mais uma vez lembro que a posição reformada é a do princípio regulador do culto. Além disso, desconfio que a Missa do Galo, de alguma forma, seja a inspiração para esta prática, mesmo que indiretamente.[11]

Como disse na introdução, o assunto não é fácil além de suscita a indignação em muitos que rapidamente rotulam ironicamente a presente posição de neopuritana. Bem, não sou neopuritano, sou apenas alguém que busca coerência nas Escrituras e nos símbolos de fé, além de admirar a piedade puritana do passado. Apenas busco ser criterioso naquilo que as Escrituras ordenam. Isto não significa que nós, crentes, não possamos jantar ou almoçar com familiares e amigos descrentes ou até aproveitar estrategicamente a data para evangelizar pessoas. Assim como podemos utilizar estrategicamente a semana da pátria, o dia da consciência negra, o carnaval, o dia do trabalho, um torneio esportivo e por aí vai, nada contra aproveitar a comemoração pagã do Natal para evangelizar alguém o apresentando ao verdadeiro Evangelho, ao verdadeiro Cristo.

Minha questão central envolve o culto solene e o ambiente onde prestamos este culto, pois o Natal é pagão e não há nada que consiga mudar isto. É o que penso.

Sola Scriptura

Artigos que recomendo para leitura:





[1] The Catholic Encyclopedia: An International Work of Reference on the Constitution, Doctrine, Discipline, and History of the Catholic Church.
[2] The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge.
[3] A origem do nome Missa do Galo é incerta, todavia a presente teoria se harmoniza com a tese sobre a celebração do Sol Invictus.
[4] Deuteronômio 12.1-4 na versão NTLH.
[5] Deuteronômio 16.22,23. O termo traduzido por poste-ídolo é Aserá, entidade ligada às divindades femininas que se confundiam com árvores sagradas.
[6] Oséias 4.13.
[7] O presépio dissemina o falso ensino do Evangelho. Maria e José não estavam rodeados por animais que se encontravam no campo sob os cuidados dos pastores. Tudo indica também que José se hospedou no compartimento da casa destinado a estes animais e não numa gruta. Pelo menos é o que dá a entender o texto de Lucas 2.7
[8] Se a data é omitida pelo Novo Testamento, então porque insistir numa que é falsa?
[9] O mesmo fenômeno ocorre com a páscoa do calendário romano onde há coelhos e ovos de chocolate.
[10] Confissão de Fé de Westminster XXI.5.
[11] O termo Merry Christmas significa literalmente Feliz Missa de Cristo.

MINHAS CONSIDERAÇÕES NO PÓS ELEIÇÕES 2014

Encerradas as eleições, temos o PT para mais quatro anos no poder, somando um total de 16 anos. Isso é muito para uma democracia tão jovem como a do nosso país. Não é novidade saber que a alternância no poder descreve por excelência o modelo de democracia que adotamos no Brasil, enquanto o contrário, a perpetuação de um partido, fragiliza, e muito, a liberdade tão celebrada por todos.

Nunca é demais lembrar que a presidente reeleita não possui a maioria dos brasileiros ao seu lado, pois, embora os petistas e simpatizantes tentem esbanjar os 51,64% contra os 48,36% dos psdebistas, a diferença é de apenas 3,28 pontos percentuais o que em números absolutos significam 54,5 milhões de votos para Dilma Vana Rousseff contra 51,04 milhões de votos para Aécio Neves da Cunha. A situação muda mais ainda se levarmos em conta o percentual total dos eleitores. Neste caso, os 21,10% de abstenções, os 1,71% de votos brancos e os 4,63% de votos nulos, que perfazem um total de 27,44%, fazem com que o candidato do PSDB possua 35,09% dos votos e a candidata do PT possua somente 37,47% dos votos. Digo somente porque este percentual a conduziu à reeleição.

A fatia populacional que apóia a presidente é muito pouca. Este resultado pífio reflete uma significativa oposição oficiosa que cresceu e amadureceu para além da oposição oficial existente. Mais da metade dos brasileiros não aprova mais o projeto perigoso do PT, embora o mesmo possa ser dito com relação ao projeto um pouco mais simpático do PSDB, sem ser este, diga-se de passagem, o projeto político ideal para mim.

Conforme eu expressei em uma página de relacionamento, mais do que nunca o Brasil precisa desenvolver uma direita que seja coerente, unida, pacífica, inteligente, firme e humanitária. Uma direita que não tenha como base de suas proposições a brutalidade que destrói os direitos dos cidadãos brasileiros, mas uma direita que se baseie nos modelos democráticos que deram certo em tantas nações livres do mundo. Esta direita brasileira deve ser consciente de seus alvos e lutar democraticamente por estas metas por meio do discurso e da ação propositivos, evitando sempre a prática combativa promotora da violência. A ação principal deve ser a conscientização da sociedade sobre as propostas e as práticas acachapantes da esquerda que tanto destrói as nações e os povos. Resumindo, a direita brasileira precisa se fortalecer com a posição político-social firme e inamovível, revelando, por meio da história e da atualidade, o modelo socialista marxista como um sistema destrutivo e, na maioria das vezes, mortífero.

Diante disto surge a pergunta: como os crentes devem se comportar diante deste cenário? Qual é o lugar da Igreja diante destes desafios? Inicio dizendo que, como crentes, precisamos agir conforme o ensino de Pedro que em sua primeira carta, no capítulo 2, versos de 13 a 17 diz:

Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.

O mesmo pensamento é corroborado por Paulo em 1 Timóteo 2.1-2 e Romanos 13.1-10. Devemos, portanto, adora-lo com a mente e com o coração, afirmando para nós mesmos: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis...” (Daniel 2.20,21). O Senhor é soberano, e nesta soberania estamos protegidos, sabendo que tudo se realiza para o nosso bem, mesmo que tenhamos sobre nós a disciplina que retifica (Romanos 8.26-39).

Mas isso não significa que devemos, como crentes, estar passivos diante das injustiças e mentiras que se levantam contra o Senhor Deus e a Sua Palavra. O mesmo Pedro supracitado, ao ouvir sobre o que deveria fazer diante do projeto criado pelo Sinédrio, afirmou: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5.26-42). Algo parecido vemos em João Batista conforme Lucas 3.10-14:

Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado. Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo.

A postura do profeta foi firme o bastante para gerar o constrangimento e o ódio em Herodes que desejava calar a voz do servo de Deus a todo custo conforme Lucas 3.18-20:

Assim, pois, com muitas outras exortações [João] anunciava o evangelho ao povo; mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito, acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere.

Dito disto, quero fazer uma aplicação deste meu argumento ao atual cenário político brasileiro:

Em primeiro lugar, precisamos aquietar o nosso coração por causa da condução soberana do Senhor Deus no Brasil, pois vivemos na total dependência deste amor divino. O soberano Rei colocou a presidente Dilma Rousseff onde ela está e Ele mesmo vai tirá-la e julgá-la um dia quando assim o desejar. Portanto, servos do Senhor, creiam! O mesmo Deus que cuidou de José no Egito; de Misael, Ananias, Mesaque e Daniel na Babilônia; o mesmo Pai que cuidou de seu povo quando um terrível complô foi arquitetado por Hamã, ministro do rei Assuero, na Pérsia; certamente cuidará de seus amados filhos, eleitos por seu amor. O nosso Deus é fiel à sua bendita aliança. A Ele toda a glória! Não há o que temer!

Em segundo lugar, nós devemos, ao mesmo tempo, fazer oposição a todo plano, projeto ou ato governamental do PT e de seus aliados que afronta a Verdade de Deus. Não esquecendo que todo, mas todo mesmo, pensamento de esquerda é contrário à Santa Lei de Deus! Neste contexto...

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra a impunidade protetora da corrupção tão repugnante presente nos espaços governamentais, decompondo a honra, a honestidade e a probidade.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra o aparelhamento do Estado que privilegia unilateralmente um único partido, corroendo as instituições que deveriam ser livres e isentas para agir, realizar e julgar com imparcialidade e equidade a tudo e a todos.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra o projeto conhecido como Foro de São Paulo que alinha o Brasil aos países que se tornaram republiquetas sob o flagelo de um socialismo piegas e pecaminoso, sistema visivelmente contrário aos valores do Evangelho.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra o financiamento que alimenta nações opressoras e assassinas, como é o caso de Cuba; contra o financiamento ou apoio político que amamenta campanhas eleitorais de candidatos socialistas de lá, ou ainda contra o financiamento que constrói infraestruturas de engenharia nestes países; tudo com o dinheiro que deveria ser investido nas necessidades dos brasileiros que, em sua maioria, contribuem com seus impostos.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra um sistema que solapa a liberdade individual em nome de um coletivo que só existe pela ótica do aparelhamento e do controle estatal, ato desonesto e contrário à liberdade de expressão e a outros direitos lícitos conquistados e inscritos na maior autoridade que temos no país, a Constituição Federal.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra um programa que enfraquece a economia, afugenta investidores e promove a corrosão cambial em nome de um orgulho bolivariano besta e descabido, sabendo que esta destruição impede o mínimo de dignidade a muitos brasileiros que sonham com um trabalho digno, um salário razoável e a possibilidade de um crescimento econômico pessoal.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra a normatização de todas as práticas que andam na contramão da justiça e da vontade do Senhor Deus como a legalização do aborto e a proteção de jovens perversos que atentam criminal e sistematicamente contra as pessoas de bem.

Precisamos fazer oposição pacífica, mas firme contra um sistema de representações (que muitos denominam de ideologia) que combate com humilhações os valores da Santa Lei de Deus expressos no Evangelho de Cristo.

Quero reafirmar que somos forasteiros nesse mundo que jaz no maligno. Nós somos aqueles que vivem a peregrinação rumo à terra prometida para viver o eterno sábado na presença do Santo Deus e de Seu Filho bendito, o Senhor Jesus. E nesta jornada devemos denunciar tudo o que é injusto e pecaminoso, promovendo sempre a glória do nosso Deus.

Portanto, oremos pelo Brasil, oremos pela liberdade, oremos pela democracia honesta, oremos para que haja mais humanitarismo e mais atitudes que promovam a justiça. Oremos para que Cristo brilhe em Sua Igreja aqui nesta peregrinação para que o mundo veja em nós a honestidade, a paz, a honra, a ajuda ao próximo, a benevolência, bem como todas as práticas que demonstram a santidade que nos faz mais parecidos com Cristo.


Sola Scriptura.
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