04 Novembro 2009

PREGAÇÃO DA PALAVRA, UMA NECESSIDADE ABANDONADA


Vivemos hoje tempos difíceis, tempos que se levantam contra a Verdade de Deus, tempos que tentam relativizá-la ou até destruí-la. O mais estarrecedor é que esta calamidade também ocorre dentro dos espaços que são identificados como evangélicos. E dentre as muitas oposições mencionadas destacam-se: relativização da Lei de Deus, amenização do pecado, desfiguração da teologia, descaracterização do culto e a descentralização de Cristo em nossa vida. Isso, todavia, não surpreende, uma vez que o mundo está sob o controle do maligno ou, como afirma João, jaz no maligno. Tal expressão significa dizer que o presente século encontra-se no regaço de Satanás para cumprir os seus maus desígnios para impregnar o coração do homem de pecado e, conseqüentemente, impregná-lo da morte (que significa separação de Deus). É triste perceber que muitas igrejas estão habitadas por cadáveres que estão amoldados à cobiça da carne, cobiça dos olhos e à soberba da vida.

Neste contexto nefasto surge uma pergunta: qual a solução para esta situação? Como combater o secularismo que destrói o mundo e enfraquece o rebanho? A solução encontra-se na defesa e na pregação das Verdades imutáveis do Senhor Deus contidas nas Sagradas Escrituras, pois somente assim perceberemos quem, de fato, é do Senhor, e quem não é. Somente a divulgação, obediência e vivência das Escrituras proporcionará a saúde do rebanho e o contraste com o mundo de Satanás.

Foi exatamente isso que Paulo alertou ao seu filho na fé, Timóteo, quando escreveu: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.” (2 Tm 4: 1 5).

Esse poderoso texto, escrito pouco antes do martírio do apóstolo, mostra-nos três aspectos da pregação da Palavra diante do mundo:

1) Trata-se de uma exortação importantíssima. A ordem de Paulo é solene quando apela para o que mais tinha de precioso em sua fé. Primeiro o próprio Deus Pai Todo-Poderoso, seguido de seu Filho Jesus, o grande Juiz que a todos julgará no dia da manifestação e, por fim, o próprio Reino onde Paulo habitava e trabalhava como servo. A exortação traz um tom extremamente solene na expressão “conjuro-te”, termo que significa “testemunho-te”. Aqui encontramos o velho apóstolo lançando o olhar para a sua própria vida descrita a seguir quando diz: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” Em outras palavras, a exortação apostólica começa dizendo: “com base no meu testemunho diante de Deus, seu Filho e o Reino: prega a Palavra!”

2) Trata-se de uma prática contra o paganismo. Paulo mostra a necessidade dessa pregação que deve ser insistente (significado de “insta”), deve ser em qualquer momento e deve atingir a integralidade do ser (significado de “corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”). Os tempos seriam difíceis quando muitos, dentro da igreja, não ergueriam mais a Lei divina e, em seu lugar, colocariam fábulas que satisfizessem à cobiça. É nesse sentido que o apego inegociável à Palavra deve ocorrer. Nada pode ofuscar aquilo que Deus nos deixou como sua bendita e perfeita vontade. Nada, por menor e aparentemente inofensivo que pareça, pode encontrar morada em nosso coração e, conseqüentemente, na igreja. Tudo deve passar pelo crivo das Escrituras. Essa argumentação final não apenas exorta a vivência, mas o cumprimento do serviço dado por Deus, que no texto foi traduzido por ministério.

3) Trata-se de um contraste para com os traidores. Não basta apenas pregar essa Palavra, mas vivê-la totalmente. Como vimos no primeiro ponto, o próprio apóstolo evoca o seu testemunho, e agora encoraja Timóteo a demonstrar o seu. Não podemos tratar a Palavra como profissionais, mas como viventes cheios de temor e tremor, cheios de compromisso, cheios de amor.

Em suma, a célebre exortação de Paulo a Timóteo, feita solenemente, baseia-se na própria vida do apóstolo, no poder de Deus, na majestade de Cristo, na existência de seu Reino, na necessidade de se combater os mundanos, e no resultado pessoal que faz de nós sóbrios e trabalhadores na igreja. Portanto, é nossa responsabilidade viver, preservar e ensinar essa Palavra para que continuemos como um povo distinto do mundo, distinção demarcada pela presença bendita do Espírito Santo. Nesse aspecto enceramos a presente meditação com as palavras do apóstolo: Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem! (Rm 3: 4).

26 Julho 2009

DE FÉRIAS!


Bem, estou de férias no Ceará. O tempo aqui tem sido precioso com a família (estou com minha amada esposa, meus dois filhos e minha mãe). Muito camarão e praia para descansar das atividades conciliares, eclesiásticas e acadêmicas.

Retorno só mês que vem.

SOLA SCRIPTURA

30 Maio 2009

O PASTOR PROFISSIONAL

Sempre que um pastor for indagado sobre a sua profissão, qual deve ser a resposta? Incomoda-me quando afirmam que são pastores, ou seja, que a profissão que exercem é a de pastor. Quando tenho oportunidade de conversar com esses colegas mais próximos, sugiro que respondam: autônomo em vez de pastor. É claro que muitos discordam.

Mas o tipo de resposta a ser dada não é o problema que quero levantar nessa postagem. O ponto está mais além e é muito mais complexo. Inicialmente quero iniciar definindo o que significa ser um pastor e o que significa ser um profissional. 

Por pastor entendo um ministério, um serviço dedicado ao Reino, ou seja, alguém que exerce o dom do Espírito Santo no cuidado de um rebanho de acordo com as normas contidas nas Escrituras. É um trabalho que não visa a promoção pessoal e nem o lucro, embora dele retire o seu sustento. Trata-se de um ministro do Evangelho. Por profissional entendo alguém que luta por uma carreira bem sucedida que se estabelece pelo reconhecimento vindo de outras pessoas. Também é a busca do progresso técnico que exige resultados mensuráveis cujo corolário é a recompensa que surge por meio de altos salários e de uma boa aposentadoria. 

Não há nenhum problema em ser um bom profissional na empresa ou na instituição pública. A questão é quando o ministério pastoral se profissionaliza. Isso, sim, traz prejuízos à Igreja e ao propósito de Deus quanto ao amparo e, até mesmo, a proteção do povo. Como já disse, o trabalho pastoral deve ser visto como um ministério. Trata-se de um servo que preside, de um pai que cuida, de um mestre que doutrina ou de um enfermeiro que trata. Resumindo, o pastor é aquele que dá a vida pelo rebanho e o vivifica pelo poder de Deus. 

Já o pastor profissional é aquele que não se dedica mais ao propósito principal no qual fora vocacionado. Ele passa a não mais se importar com a simplicidade do ministério. Sente necessidade de se perceber confortável e seguro de si e por si mesmo, não importando os prejuízos que isso possa causar à igreja. Busca um futuro previsível e um presente que satisfaça os desejos egoístas. A visão que possui passa a ser regida pelo humanismo e sente a necessidade de ser notado por aqueles que deslumbram o seu aparente sucesso. Ou seja, são pastores que pastoreiam a si mesmo, todo o seu esforço é direcionado aos interesses pessoais. 

Não tenho dúvidas que tudo isso causa dor e frustração no meio do rebanho que definha moribundo e desorientado, principalmente quando percebe que o alvo de seu líder espiritual não é mais as ovelhas, mas, sim, o próprio estômago enquanto fingem pastorear. 

Nessa altura surge uma pergunta: como podemos detectar alguém que deixou de ser um ministro do Evangelho e passou a ser um executivo eclesiástico? Como resposta, quero propor quatro características que são facilmente percebidas nesse tipo de gente: 

O pastor profissional é raso no ensino bíblico. Este é um ponto extremamente nocivo à igreja com conseqüências desastrosas. O pastor profissional não possui a menor preocupação em se debruçar sobre livros, comentários ou literatura que possam auxiliar no preparo dos sermões. Não há estudo sério da Palavra, não há compromisso com a Verdade. Tais indivíduos acreditam que podem ir ao púlpito toda a semana e falar o que lhe vem na mente naquele momento, sem se preocuparem com o fortalecimento do rebanho contra o pecado. A tônica é sempre humanista e tolerante sem que haja a denúncia contra o erro ou contra o mundanismo. Isso porque o pastor profissional teme ser confrontado e, por essa razão, sempre quer estar de bem com todos, principalmente com os crentes influentes do meio. 

O pastor profissional não se envolve pessoalmente com as ovelhas. Todos sabem que o pastoreio não se restringe aos principais cultos de domingo. Nenhum ministro de Deus se furta do envolvimento pessoal com o povo por meio do discipulado ou do aconselhamento. No entanto, o pastor profissional não leva em conta este importante cuidado individual. Não cultiva o hábito do pastoreio direto, do acompanhamento pessoal (por intermédio das visitas nas casas ou no trabalho em horário de folga), dos aconselhamentos, dos contatos por carta ou pela Internet (embora o relacionamento presencial seja insubstituível). Para ele tudo isso é perda de tempo. Por vezes a ovelha está necessitando de uma palavra orientadora, mas só consegue ser ouvida quando procura o psicanalista ou o líder de outra denominação mais próxima de si cuja teologia é, muitas vezes, questionável. São casais que vivem sob forte crise, relacionamentos desgastados entre filhos e pais, desempregos que desesperam o coração, enfermidades que atemorizam. São pessoas que gritam em silêncio sem, contudo, obter eco do seu clamor. O pastor que possuem só pode vê-las aos domingos na porta da igreja ao final do culto e que se limita em dizer a mesma frase por anos a fio: “como vai? Que tenhas uma semana abençoada”. Nada mais que isso. Essas pobres ovelhas nunca serão encorajadas a seguir em frente, nunca serão visitadas, nunca serão aconselhadas, nunca receberão uma mão amiga e confiável. Ou seja, nunca experimentarão o que é ser pastoreada, pois não possuem líderes amigos. Esses tais são apenas meros profissionais. 

O pastor profissional só se preocupa consigo mesmo. Personalismo parece ser a palavra de ordem em alguns centros evangélicos. São pessoas que passam a vida lutando por um espaço na mídia. O resultado é o desperdício de milhões de reais utilizados para pagar campanhas inócuas ou programas televisivos vazios que nada dizem além de discursos de auto-ajuda. Mas esse desejo não se restringe aos grandes eventos ou aos grandes espaços continentais. Há também aqueles que desejam fama em seu pequeno universo. Pode ser um Presbitério, uma pequena região ou até mesmo uma igreja local. O alvo é a bajulação que surge por causa de uma pretensa espiritualidade ou de uma suposta inteligência respaldada por títulos e certificados alcançados. Não importa a causa, o importante é o estrelismo. É por isso que muitos pastores profissionais se preocupam com o crescimento numérico de seu rebanho em detrimento da qualidade, embora haja também os que se conformaram com o número reduzido do rebanho. Nesses casos, geralmente, a fama e o prestígio possuem outra fonte fora da igreja local. Outra preocupação desses pastores é a sua renda mensal, o seu ganho financeiro. Sempre defendem cinicamente seus bolsos sem, portanto, merecerem o que pleiteiam ganhar. Buscam apenas os seus direitos em detrimento dos legítimos direitos das ovelhas extorquidas. A meta é ter um emprego-igreja bem remunerado que lhe conceda estabilidade financeira. 

O pastor profissional não é um homem de Deus. Isso significa a ausência de uma dependência total do Senhor na vida por meio do temor, da Palavra e da oração. São pessoas que confiam em si mesmas e não se importam em buscar de Deus a direção certa. Não sentem falta nenhuma de expressar a submissão ao Espírito, submissão esta que o próprio Jesus demonstrou quando esteve aqui entre nós. Não são homens de oração, não são homens da Palavra, não são homens piedosos. Nunca possuem uma vida devocional particular, nunca gemem por causa do pecado, nunca se importam com a vontade de Deus. Sempre agem friamente e com extrema impassibilidade diante de tudo que promove uma vida espiritual compromissada. Na maioria das vezes são irônicos ou cínicos no que dizem ou falam com respeito à piedade. Eles também agem despoticamente para que prevaleça a sua vontade, não obstante a capa de aparente mansidão. São vazios do poder de Deus, são como penhas que não podem alimentar ou fortalecer as ovelhas. 

Quero encerrar dizendo que, para mim, ser pastor profissional nada tem a ver com tempo integral ou parcial no ministério. O ministro pode retirar o seu sustento de um trabalho que não esteja ligado à sua igreja. Todavia, tal trabalho não pode comprometer o tempo de qualidade pertencente ao rebanho quanto ao preparo do sermão e quanto ao envolvimento pessoal. Entre um e outro, o pastorado é prioridade. Se um dos dois deve ser descartado ou penalizado, que seja o trabalho secular. 

Muitas igrejas padecem miséria espiritual porque estão debaixo de um pastor profissional que há muito deixou de ser um ministro de Deus. Vale ressaltar que essa mutação pecaminosa não acontece da noite para o dia, ela ocorre ao decorrer dos anos quando aquilo que causava genuíno espanto, preocupação ou interesse transforma-se em total irrelevância. O que era importante por pertencer ao Reino, passa a ser desprezado totalmente. 

Que Deus nos livre dos pastores profissionais que sufocam as igrejas até o seu extermínio. Que haja entre nós ministros sinceros e cônscios de que escolheram um excelente, sublime e perene trabalho conforme nos diz o Apóstolo Paulo.

SOLA SCRIPTURA

15 Maio 2009

CONFERÊNCIA DA FAMÍLIA NA PIPR


Neste último final de semana tivemos entre nós o Rev. Valdeci da Silva Santos e sua esposa Meire. Foram dias de preciosa comunhão, além das pregações voltadas para a família. Na oportunidade ouvimos sobre o papel de cada cônjuge no lar, intimidade do casal, sexualidade responsável e batalha espiritual no casamento.

Além disso, tivemos ótimas peixadas (para alegria da Meire), pescarias e muita conversa agradável. Louvamos ao Senhor por esse tempo precioso que já deixa saudade.

Apenas por curiosidade, o Rev. Valdeci da Silva Santos é ministro presbiteriano desde 1989 e atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Suíça com ministério voltado à família. Seu currículo inclui bacharelado pelo Seminário Presbiteriano do Sul, mestrado e doutorado pelo Reformed Theological Seminary (RTS).

Atualmente coordena e ensina Teologia Pastoral, além de coordenar o Doutorado em Ministério no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper. É professor convidado no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, no Seminário Rev. Denoel Nicodemus Eller e no Instituto Bíblico Eduardo Lane. Lecionou no Seminário Presbiteriano Brasil Central, foi instrutor em missões urbanas no RTS. Tem publicado vários artigos e é co-editor da revista Fides Reformata.

SOLA SCRIPTURA

18 Março 2009

CATÁSTROFES NATURAIS: DEUS É RESPONSÁVEL?


O Brasil e o mundo estão chocados com o número de tragédias naturais que ceifaram centenas de pessoas recentemente. Desde o início do ano assistimos perplexos às chuvas torrenciais no sul e sudeste brasileiros que desalojaram e destruíram várias famílias, principalmente crianças e idosos.

Tais acontecimentos inquietam o coração e trazem o choro de tristeza e de condolência. O sentimento interior é como se as entranhas fossem retorcidas violentamente, virando-as do avessoo de profundo pesar para com tantos que sofrem perdas irreparáveis. Por outro lado, há a promoção da solidariedade, pois é dever de cada um fazer o mínimo diante do máximo. Como é bom participar de campanhas solidárias destinadas aos flagelados. Cada um deve fazer a sua parte diante do quadro aterrorizador e destrutivo, embora saibamos que muito mais poderia ser feito.

Sempre que nos deparamos com as tragédias naturais, não podemos escamotear o fato de que há um Deus perfeito e justo que a tudo contempla. Nada escapa à sua observação, pois seus olhos estão em toda parte, perscrutando a tudo que passa nesse mundo e fora dele. A perplexidade aumenta quando sabemos que ele também é um Deus de amor, graça e misericórdia. E é exatamente aqui que surge a pergunta:

"Como conciliar o caráter de Deus com acontecimentos tão destrutivos?"

Essa complexa indagação tem gerado muitas discussões acaloradas entre os teólogos e cristãos ao redor do mundo, suscitando as mais diversas opiniões.

Nesse caldeirão de debates há os que se alinham ao humanismo vigente e afirmam que Deus apenas permite que tudo isso ocorra. É como se ele visse o mal iminente e, ou por incapacidade ou por desejo próprio, aceita com passividade. Outros recrudescem mais ainda e afirmam que Deus, por abrir mão da sua soberania, simplesmente não sabe nada sobre o futuro e, assim como os seres humanos, fica surpreso com os acontecimentos e torce para que haja o mínimo de perdas entre as vítimas. Há ainda os que acreditam que Deus deixou o mundo a sua própria sorte como se estivesse distante ao ponto de não se envolver com os acontecimentos terrenos. Usando os rótulos como resumo, tais pessoas são simpatizantes da teologia arminianateologia do processoteologia relacional ou teologia deísta.

Embora haja diversidades nas nuances, o fundamento do que foi colocado até aqui é o mesmo, ou seja, Deus é, de alguma forma, limitado em sua pessoa e caráter. É como se tivéssemos uma divindade mensurável cuja escala é profundamente demarcada pela efemeridade humana, ou seja, a divindade é a imagem e semelhança da criatura. Em suma, o homem é que é a medida de todas as coisas e Deus não poder ser excetuado desse processo.

Na contramão de todas essas afirmações, a minha visão destoa em absoluto. Eu creio num Deus que a tudo rege e que em tudo cumpre o seu propósito. Creio também que as catástrofes são todas determinadas por ele e tudo acontece segundo a sua vontade. Diante disso, e baseado nas Escrituras, mais particularmente em Jó 36: 22 a 37 ;13, quero propor três pontos que estão presentes nas determinações de Deus sobre a natureza. O que quero dizer é que há, sim, como explicar essa inquietante relação entre o Deus que flagela pela natureza e seu propósito justo e bom. Eis, então, porque o Senhor determina tragédias por meio da criação e o que essas tragédias podem nos comunicar.

1. As tragédias são peculiares à natureza. A grande maioria dessas tragédias naturais não são manifestações miraculosas, ou seja, elas não contrariam o que já é peculiar às leis naturais. Nem tudo ocorre pelo acaso ou por uma intervenção da mão de Deus em quebrar o fluxo normal da natureza como foi o caso de Sodoma e Gomorra. Tudo obedece às regras definidas no mundo natural. Enchentes, incêndios espontâneos, terremotos, maremotos, erupções vulcânicas podem ser identificados pela ciência e até mesmo, em alguns casos, evitados ou previstos. Todos sabem que o mundo geme por causa do pecado. As desordens e as manifestações belicosas que fazem a natureza voltar-se contra si mesma são resultados do que ocorreu no Éden e demonstram o curso tomado pelos animais, minerais e vegetais. Portanto, não podemos dispensar a possibilidade de a ordem natural do mundo em que vivemos resultar em uma ecatombe. As grandes catástrofes acontecem como fenômeno natural.

2. As tragédias sancionam o juízo de Deus. Dizer que as catástrofes são majoritariamente peculiares à natureza não quer dizer que negamos o controle e a regência do Criador sobre o universo. A providência é real e necessária. Portanto, a mão de Deus também rege as catástrofes da natureza e isso ele faz para trazer juízo sobre o homem. A maioria sabe que o Senhor firmou um pacto que manifesta o seu reino e culmina na expiação de Cristo, mas essa bendita aliança também culmina no juízo eterno. Logo, o pacto trás bênçãos, mas também traz maldições. Assim como as bênçãos podem ser percebidas no cotidiano do crente, essas maldições não serão manifestas apenas no dia do julgamento final. Há hoje em dia, sobre a impiedade humana, centelhas da ira de Deus que se manifestam na entrega sem reservas desse pecador à sua depravação total, ou na promoção da dor e do sofrimento extremo. Aqueles que estão fora da habitação do Espírito do Senhor vivem debaixo dessa santa e justa ira que só estanca quando a salvação de Cristo se torna presente.

Quando há tantas vítimas das tragédias naturais, ali está o juízo de Deus, pois esse Deus soberano derrama do seu furor ainda nos dias de hoje. É por isso que há a necessidade do temor no coração e o profundo respeito ao grande Vingador que também pune com rigor. Não nos enganemos, catástrofes naturais são a manifestação do juízo divino sobre a terra.

3As tragédias sancionam a misericórdia de Deus. Parece contraditório à nossa mente, mas é isso mesmo que ocorre. Como exemplo, podemos falar do plano salvífico de Deus que traz, ao mesmo tempo, salvação e juízo. Ou mesmo nós, como pais, quando disciplinamos os nossos filhos, há ali uma espécie de castigo e, ao mesmo tempo, ação de responsável amor. Ao mesmo tempo em que há a manifestação do juízo, há também a manifestação de sua terna misericórdia sobre os que saem ilesos do temido processo trágico. Nunca esqueço de uma cena que vi pelo noticiário na época do grande tsunami ocorrido no oceano índico em dezembro de 2004. Um bebê que se salvou milagrosamente porque boiou sobre detritos que flutuaram sobre as águas enlameadas. Quando vi os familiares abraçando a criança, não havia como evitar as lágrimas nos olhos e a declaração:

Como Deus é misericordioso!”

De uma maneira ou de outra, Deus manifesta a sua misericórdia e longanimidade diante das calamidades. Até mesmo quando me vejo distante de tanta destruição, percebo o cuidado e o afeto do Senhor sobre a minha vida e a vida dos vivem ao meu redor.

Quero concluir esse texto reafirmando que a soberania divina abarca todas as situações da vida fazendo com que eu entenda o sentido do temor do Senhor e da alegria no Senhor. Ele nunca é injusto, nunca age em desamor, nunca deixou de ser Deus!

Sola Scriptura.