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A MORTE DE KADAFI TORNOU O MUNDO UM POUCO MELHOR?

Cadafi morreu! E com ele foram sepultados dezenas de anos recheados de atrocidades e maldades praticadas contra pessoas, famílias e até cidades inteiras. Discordo, é claro, da maneira brutal como o mataram, uma vez que já estava desarmado e não oferecia ameaça nenhuma aos seus conquistadores. Penso que ele deveria ser preso, julgado por um tribunal legítimo e receber a condenação. Quanto a este aspecto, leia o que escrevi na postagem A morte de Osama Bin Laden.

Não há dúvidas de que o mundo se livrou de mais um tirano e muitos estão vibrando com o ocorrido. A própria Líbia comemora a virada radical de sua trajetória, embora eu tema pela implantação de um governo igualmente tirano, mas agora sob a proteção da religião muçulmana radical. O mundo ocidental também comemora muito, sempre no anseio em ver a região muçulmana influenciada pela cultura pop tanto na política, na economia como na moral. Resumindo, a sensação é a de que as coisas vão melhorar, a paz vai crescer e a humanidade, finalmente, retoma sua marcha rumo à liberdade civilizatória conforme o projeto da modernidade iluminista.

Minha pergunta neste contexto é: será que esse suposto progresso demonstra lampejos de se tornar realidade? O fato de o mundo árabe estar matando seus tiranos e, no lugar deles, implantando a democracia (nos moldes de lá, é claro) aponta para a possibilidade de um processo civilizatório em uma região tida como extremamente atrasada politicamente? Receio que não!

A falácia do progresso e da evolução foram discursos forjados pela modernidade, discursos que se estendem até hoje. A visão de que o mundo prosperará – quer seja pela ação de um espírito supra histórico (para citar Hegel), quer seja por uma racionalidade imperativa (para citar Kant), quer seja pela posse dos modos de produção (para citar Marx), quer seja pela seleção das espécies (para citar Darwin), quer seja por um contrato social (para citar Hobbes, Rousseau e Locke – isto é, atrelar as mudanças políticas e econômicas no mundo, ou mesmo os avanços da ciência e da tecnologia como indício de algum tipo de progresso é, para mim, pensar ingenuamente. Tais “avanços” apenas mudam o modo de se viver e de se encarar a realidade, nada além disso.

Quero exemplificar com uma experiência pessoal. Eu me lembro do tempo em que não havia computadores pessoais, nem telefones celulares e nem Internet. Posso afirmar que a minha geração nunca sentiu falta dessas tecnologias até o final da década de 80. Confesso que ainda não sei lidar com o tal celular (esqueço em casa, deixo a bateria cair etc.), resquícios desta época em que ele não fazia falta nenhuma. Portanto, o mundo não progrediu, o mundo apenas mudou!

Convenhamos, o mundo estava perfeito no Éden, mas por causa do pecado entrou num processo de degeneração contínua que só pode ser estancada pelo poder de Deus. Logo, o avanço tecnológico, o crescimento da ciência ou a mudança social, política e econômica de antigos regimes totalitários não possuem poder para melhorar nada daquilo que o mal corrompeu. Digo isto para ratificar que a nossa trajetória caminha a passos largos para o pior. As Sagradas Escrituras nos afirmam isso o tempo todo. A natureza geme, o pecado impera, tudo e todos sofrem num mundo que jaz no maligno. Tentar separar a ciência, a tecnologia, a política e a economia como compartimentos que progridem separadamente da degeneração do mundo de pecado é fragmentar a cosmovisão bíblica!

A única esperança de regeneração e progresso neste mundo ocorrerá com a vinda do Senhor Jesus, evento real e literal que tornará o mundo melhor, muito melhor! Não nego que a Igreja já vive uma parte dessa regeneração, mas não totalmente. A totalidade se tornará realidade quando todo olho contemplar o Senhor Jesus voltar com todo poder e glória. Porque progresso será ter um corpo glorificado, progresso será ter a presença física de Cristo, progresso será não mais ser dominado pelo pecado, progresso será saber que Satanás, sua horda e a morte já não existem mais. Este, pois, é o projeto de Deus que se torna loucura ao projeto da modernidade e sua falsa sensação de progresso e evolução.

MARANATA! VEM SENHOR JESUS!

Sola Scriptura

UMA VIAGEM REFLEXIVA!

Certa vez eu estava em Manaus para mais uma reunião do Presbitério. Naquela época as igrejas em Roraima pertenciam ao extinto PRAR (Presbitério Amazonas-Roraima), e a maioria das reuniões acontecia na capital amazonense. Após o término do concílio, eu e um pastor amigo tomamos um ônibus de volta para casa. Seriam 12 horas ao longo da BR 174, estrada que corta a densa selva amazônica ao fazer a ligação entre as cidades de Boa Vista e Manaus.

Por causa da paisagem exuberante e o bom papo, a viagem foi tranqüila até certo ponto do trecho. No finalzinho da tarde chegamos a um lugarejo conhecido como Quilômetro Quinhentos para a última refeição do dia. Tudo estaria normal se não fosse pelo alvoroço de muitos diante de um pequeno aparelho de TV que ficava em um canto do restaurante. Perguntei do que se tratava, pois ao longo da viagem estávamos isolados do mundo externo, mas as respostas foram confusas. Alguns falavam em queda de aviões, outros mencionavam sobre bombas lançadas em Nova Iorque... “Que confusão” pensava eu. Mas qual não foi o meu impacto quando, estarrecido, vi diante de meus olhos as Torres Gêmeas esfarelarem como se fossem feitas de areia. Fiquei congelado ao ver a destruição total dos majestosos prédios que anos atrás havia visitado com minha esposa pela última vez.

Ao retornar ao ônibus não consegui ouvir o espanto dos demais passageiros, a única frase que ecoava sem parar em minha mente foi: “As Torres Gêmeas não existem mais...” Sim, aquele dia era o 11 de Setembro de 2001!

Refeito do choque, embora não completamente, passei a refletir sobre a hecatombe e o que eu poderia aprender com tudo aquilo. Confesso que os pensamentos vieram como um turbilhão, sem dúvidas era muita coisa em minha mente. Mas ao sistematizá-los hoje, creio que assim se organiza o meu raciocínio daquele momento:

Em primeiro lugar, os atentados de 11 de Setembro me ensinaram que nem tudo que parece ser eterno na verdade o é. Para quem conhecia o complexo do World Trade Center situado no Lower Manhattan concordava que aquelas imponentes torres pareciam ser eternas, não só pela solidez da construção, como também pelo simbolismo que traziam ao sistema capitalista. Mas elas ruíram, e ruíram com apenas 28 anos de idade! Isso me fez repensar na época sobre meus conceitos de eternidade e de apego à matéria. Quem poderia prever o fim da eternidade forjada pela mente humana? O que dizer do fim dos grandes impérios do passado como o de Roma, por exemplo. E mais, quem poderia prever a evaporação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas? Sim, nada é eterno a não ser que haja a mão do Eterno sustentador. Nesse contexto faz sentido o que o salmista diz: “O Senhor é Rei eterno, da sua terra somem-se as nações”. O que é, de fato, eterno? Não é o efêmero com aparência de para-sempre. O único eterno é o Senhor Deus, e nEle qualquer um pode viver para sempre! Quanto tempo perdemos investindo força e dinheiro em objetos passageiros que queimarão por completo no Dia do Senhor. O mais coerente e seguro é galgar nossa vida naquilo que é eterno, naquilo que viverá para sempre.

Em segundo lugar, os atentados de 11 de Setembro me ensinaram que a maldade do homem sempre nos surpreende. Tenho quase certeza de que o serviço de segurança estadunidense subestimou os limites da maldade humana. Por mais que o mundo pareça-nos de vez em quando cor-de-rosa, o que impera é a depravação do pecado. Nunca podemos esquecer sobre a capacidade do coração para a crueldade, do que ele é capaz. Matar milhares de pessoas apenas em nome de um ideal é o mais absurdo de todas as mesquinhezas, mas o homem foi e é capaz disso! O profeta Jeremias já nos advertiu dizendo: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Bondade verdadeira somente no Senhor Deus, e nEle qualquer um pode se tornar bom! Tiago nos diz: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Somente nEle, e não no homem, é que essa afirmação se torna verdadeira. Somente no Senhor qualquer um pode se tornar bom.

Em terceiro e último lugar, os atentados de 11 de Setembro me ensinaram que não há nada seguro fora do Senhor. Fico pensando naquelas pessoas que saíram para trabalhar, tomaram um meio de transporte, atravessaram o saguão, subiram pelo elevador, entraram no escritório e pronto! Estavam em um dos andares das torres do World Trade Center, estavam em um lugar seguro. Que triste engano para todos eles naquele dia fatídico... Morreram num covarde ataque terrorista! O salmista mais uma vez nos adverte: “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o Nome do Senhor, nosso Deus.” Onde está a nossa confiança final? Na tecnologia? Ou na destreza do homem? Ou na nossa esperteza? Que nada, nossa confiança só é coerente quando está no Deus Todo-Poderoso! Somente Ele é a segurança certa e verdadeira. É claro que esta confiança não significa ausência de provações, ao contrário, no mundo teremos aflições. Mas quando fitamos o nosso olhar no Mestre, a vitória dEle se torna a nossa vitória.

Bem, isso foi o que se passou pela minha mente naquele restante de viagem. Pude pensar que este mundo não encerra tudo, mas que tenho uma eternidade com o meu Salvador; que sou um grande pecador, mas transformado em bom pelo poder soberano do meu Escolhedor; que a despeito daquilo que me cerca, seguro estou em meu Protetor.

Neste momento em que se comemora os 10 anos dos atentados do 11 de Setembro, meu profundo respeito às famílias das vítimas; meu total repúdio a qualquer ato terrorista, não importando as motivações; e minha confirmação de que somente no Senhor a vida faz sentido e em sua Lei vale a pena cultivar a bendita esperança.

Oremos pela paz, vivamos no Senhor!

Sola Scriptura.

A MORTE DE OSAMA BIN LADEN

Eu sei que já escreveram muita coisa sobre a morte do Osama Bin Laden, e talvez eu esteja repetindo algo que já foi dito. Mas quero rapidamente dar o meu parecer e questionamento sobre o episódio que deixou o mundo estupefato.

Em primeiro lugar, afirmo como cristão que sou favorável à pena de morte. O Evangelho é claro em afirmar que as autoridades governamentais são ministras de Deus para punir, inclusive com a pena capital, o malfeitor. Como o próprio Osama Bin Laden confessou ser o mandante do atentado de onze de Setembro, logo ele era passível de receber a punição capital sobre si. A regra revelada por Deus para a conduta humana é clara: vidas por vida.

Portanto, o questionamento não é sobre a natureza da pena que ele deveria sofrer, questiono sobre o processo utilizado pelas tropas estadunidenses. Fico desconfortável em saber que Osama Bin Laden não foi submetido a um tribunal internacional para que fosse julgado por todos os seus atos terroristas. Digo internacional porque ele era cidadão árabe, ordenou o ataque terrorista contra os Estados Unidos de uma base no Afeganistão e, mais recentemente, estava escondido no Paquistão.

Minha pergunta é se os Estados Unidos tinham o direito ético-internacional de invadir a seu bel-prazer um país soberano, atacar uma residência sua e matar as pessoas que ali residiam. Não seria isso um extermínio? Vale ressaltar que nenhum cidadão estadunidense pode ser julgado e condenado fora de seu próprio país, todavia este princípio não é aplicado aos outros cidadãos de outros países (o caso de Noriega e a invasão do Panamá pelos Estados Unidos – Operação Justa Causa – a mando do presidente George Bush em Dezembro de 1989 é um exemplo do que afirmo aqui, pois a operação matou cerca de três mil cidadãos panamenhos e dezenove soldados estadunidenses).

Concluo dizendo que a morte de Osama Bin Laden proporcionou uma importante desarticulação na rede terrorista Al-Qaeda, isso pode trazer um pouco mais de segurança ao mundo árabe e, principalmente, ao mundo ocidental. Também reafirmo que, pela Lei de Deus, a pena de morte se apresenta como a justiça divina sobre o réu, o Evangelho afirma isso. Mas acredito que também há uma pitada de arrogância por parte do governo dos Estados Unidos em não agir de acordo com aquilo que ele cobra o tempo inteiro das demais nações do planeta.

Sola Scriptura.
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