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SÓ RESTAM MEMÓRIAS!

Mais um ano termina restando apenas a memória de tudo o que passou. Nesta memória podemos vivenciar todos os nossos sentimentos como raiva, tristeza, alegria, decepção e medo. Nela também vemos o cumprimento das Escrituras sagradas quando dizem:

“No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele” (Eclesiastes 7: 14).

Sim, nossa memória diz que o Senhor Deus nos conduziu por sua divina providência, cumprindo seus eternos decretos, decretos que são ocultos até o momento em que se cumprem em nossa vida. E mesmo que tenhamos chorado ou sofrido em alguns momentos, lembremos que esta soberania possui propósitos definidos, pois:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8: 28).

O que mais nossa memória nos diz? Como é triste ouvi-la enumerar tantos pecados cometidos. Mas como é alegre ouvir seu cântico sobre a graça e a misericórdia do Senhor Deus que nos limpa e nos anima a continuar neste caminho possível, em Cristo e só por Ele, até a habitação eterna:

“Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8: 38, 39).

“Esta é a confiança de que teremos um novo ano vitorioso,” diz nossa memória, “pois estamos fiados na eterna aliança que o Deus Fiel estabeleceu conosco. Mesmo que eu seja um pecador, derrotado momentaneamente, sou salvo da culpa do pecado.” Que paradoxo maravilhoso!”

Portanto, alegremo-nos juntamente com a nossa memória e ouçamos mais uma vez, e vale a pena ouvir de novo, a seguinte verdade:

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Isaías 64: 4).

Feliz (e seremos felizes sim) 2014!

HIPERCALVINISMO: A HERESIA DO DESTINO

Não há como negar que os extremos são expressões do erro que se afastam do verdadeiro. Extremar é embutir a racionalização aristotélica que se sustenta pela visão binária. Quero deixar claro que não estou  desprezando o fato de que há situações estabelecidas nos pólos do “ou, ou”. Mas isso não nos dá o direito de superestimar o binarismo grego em tudo que existe. Isso seria extremo.

Não há, sob hipótese alguma, qualquer contradição na revelação contida nas Escrituras. Mas isso não significa dizer que o texto sagrado segue a simetria rígida grega dos opostos em toda a sua extensão, pois há posições que são, aos nossos raciocínios, paradoxais. Defino aqui paradoxo como uma aparente contradição daquilo que é coerente e verdadeiro dentro do postulado revelado por Deus. O paradoxo está em nosso sistema de raciocínio, e não naquilo que foi proposto pelo Criador. Um exemplo disso é a afirmação de que Satanás deve ser visto também como ministro de Deus. “Mas ele não é inimigo do Senhor?” perguntaria alguém. Sim, mas está sujeito às ordenanças e às determinações soberanas, inclusive para sancionar o reto juízo ou a disciplina necessária de Deus para que os eleitos cresçam na fé. Resumindo, a nossa mente é tão finita e tão fortemente determinada pela estrutura de raciocínio ocidental que não conseguimos apreender certos aspectos revelados na Bíblia.

Provavelmente, o maior e mais visível paradoxo que encontramos nas Escrituras oscila entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Muito se tem debatido sobre isso e muita heresia humanista se tem criado. Uma delas é o arminianismo que, incoerentemente, afirma que Deus apenas sabe quem vai se converter a Cristo ou rejeitá-lo. Ora, se Deus já sabe que um indivíduo irá se converter em um determinado ano, mês, dia e hora, e se a conversão se dá pela ação do Espírito Santo, eu pergunto: “onde está o livre arbítrio”? Outro pensamento que extrema a oscilação entre soberania e responsabilidade humana é o teísmo aberto, tema que discuto em algumas postagens aqui neste espaço virtual.

O terceiro exemplo que quero tratar aqui é o ponto que me motivou a escrever esta postagem. Refiro-me à heresia destinatária conhecida por hipercalvinismo.

Nem todo mundo compreende o que significa este sistema de pensamento. Certa vez eu conversava com uma missionária enquanto lhe dava uma carona e no meio da conversa ela expressou a sua dificuldade para comigo porque me considerava um hipercalvinista. Espantado perguntei o motivo daquela conclusão e a resposta foi: “você acredita na dupla predestinação”. Ora, a dupla predestinação é uma doutrina bíblica que aparece claramente no Velho e no Novo testamento. Crer desta maneira não significa ser um hipercalvinista.

Hipercalvinismo não é outra coisa senão a teologização do cruel destino que faz de cada ser humano um fantoche destituído de vontade. É a rejeição da totalidade do chamado do Evangelho, negando, nas entrelinhas, a vontade dispositiva de Deus com relação ao ímpio. Assim sendo, o hipercalvinismo nega a necessidade de se pregar o Evangelho a toda criatura ou qualquer obrigação para com o próximo.

Eu, como calvinista que sou, creio que o homem é totalmente depravado e que a sua capacidade de querer seguir a Deus foi destruída; creio que Deus elegeu homens para serem salvos incondicionalmente; creio que Cristo morreu para salvar apenas os eleitos; creio que a graça irresistível é apresentada aos eleitos e, por fim; creio que será preservada, inevitavelmente, a salvação destes eleitos até o final. Mas isso não quer dizer que o meu calvinismo anula o dever que tenho de pregar a salvação de Cristo a toda e qualquer criatura, bem como de contribuir com toda obra missionária séria e comprometida com as Escrituras.

O hipercalvinismo é uma doutrina carnal e diabólica que, em sua estrutura, se apresenta como um anticalvinismo. Se alguém me identifica com tal corrente que desonra o meu Senhor, ficarei ofendido e sentirei muita tristeza. 

Para concluir afirmo que minha mente finita não entende a conciliação entre a soberania divina e a responsabilidade humana. Para mim é paradoxal. Todavia este paradoxo gerado em minha subjetividade não anula a veracidade das duas realidades coexistentes que se expressam muito bem nas palavras de Paulo: “Assim, pois, amados meus (...), desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2: 12, 13). Portanto, não deixarei de pregar a toda e qualquer criatura e nem deixarei de orar para que elas sejam alcançadas pela maravilhosa salvação em Cristo. Nem deixarei de crer na expressão contida em Ez 18: 23: “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? —diz o SENHOR Deus...”

Sola Scriptura

TRAGÉDIA NO JAPÃO

A tragédia do Japão pode ser comparada às catástrofes ocorridas em dezembro de 2004 onde países como Sri Lanka, Índia, Indonésia, Tailândia, Malásia, Maldivas e Bangladesh sofreram grandes flagelos. O próprio Japão já sofreu uma grande catástrofe causada pelos estadunidenses no final da 2ª Guerra Mundial.

Não podemos negar a perplexidade que atormenta a mente diante do quadro arrasador, além da tristeza pelas grandes perdas de pessoas e das cidades arrasadas pela fúria do mar agitado que desmantela usinas nucleares, promovendo a mortal contaminação dos povos. Já escrevi artigos sobre o flagelo humano causado pela natureza, basta ver o item catástrofes no setor temas, mas ainda desejo refletir um pouco mais sobre o que ocorre do outro lado do planeta. Para isso quero destacar três pontos:

1. O homem é nada. Um aspecto que chama a atenção é que a tragédia aconteceu na segunda economia mundial, num país rico, disciplinado e inteligente. O Japão pós 2ª Guerra foi e ainda é exemplo a outras nações quanto à ciência adquirida e quanto à sua aplicação por meio das tecnologias. Não há como negar a fartura existente ali em todas as áreas que servem aos seres humanos. Mas de que adiantou tudo isso diante de tremores que não duram sequer três minutos? De que adianta tanta riqueza, tanto conhecimento, tanta perícia? Que constatação deprimente, nada disso pode evitar situações que demonstram a nossa brutal fragilidade. Não estou aqui condenando as habilidades humanas, o que estou dizendo é que tais habilidades não podem ser o maior fator a se confiar a vida como um todo. Creio que as palavras do salmista ajudam quando diz: “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus” (Sl 20: 7). Confiar no Senhor é porto seguro, é estar abrigado totalmente. Eu sei que as tragédias naturais não deixariam de acontecer caso o Japão confiasse no Senhor, mas também sei que haveria perfeita paz no coração diante da dor, esperança na mente em meio à destruição, vida abundante que vai além da morte.

2. Deus é tudo. Não há como não comparar a soberba que pairava entre os japoneses com as palavras do profeta que diz: “Eis que as nações são consideradas por ele [Deus] como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta” (Is 40: 15)”. Chamou-me a atenção uma senhora japonesa chorosa ao afirmar que os jovens em Tóquio estão agora refletindo sobre o valor das pequenas coisas da vida como, por exemplo, a necessidade do próximo. Os japoneses, outrora impassíveis, estão redescobrindo o que é, de fato, a vida humana. Isso é reconhecer que há aspectos da vida, tão desprezados pela riqueza, que devem ser colocados como os mais importantes. E não há melhor receita para esse tipo de reconhecimento do que saber que Deus existe e o quão grande ele é. O Japão não passa de um misero grão de pó que vagueia sem rumo ao sabor do vento, apesar de muitos o supervalorizarem. Por outro lado, somente Deus é poderoso em riqueza, glória e majestade diante dos pingos d’água, dos grãos e do pó.

3. Na relação entre o nada e o tudo impera a justiça e a misericórdia. O Salmo 8: 4 afirma: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites? ” (Sl 8: 4). Em outras palavras, quando contrastamos a insignificância de nós mesmos, seres estribados no orgulho e na soberba vazia, com a grandiosidade do Todo-Poderoso, fica difícil acreditar que os olhos divinos tenham tempo para dar atenção. Mas isso ocorre! Aliás, ocorre por meio da graça comum que auxilia os sobreviventes do grande desastre natural ocorrido no Japão. E muito mais, ocorre por meio da salvação concedida em Jesus, o Filho bendito. O Deus, que é bom, é o mesmo que age diante do clamor do salmista quando diz:


“Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR. Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira. São muitas, SENHOR, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar”. (Sl 40: 1 – 5).


Portanto, a única maneira de haver um relacionamento entre nós, vermes, e o Senhor de todas as coisas é por meio da graça e misericórdia que escolhe, que salva, que purifica e que glorifica seres insignificantes (Rm 8: 29, 30).

Concluo afirmando o que se passa em minha mente agora. Nada em nós mesmos pode garantir a nossa segurança, mas a confiança naquele que realmente é grande e tremendo é o que faz sentido neste mundo acolhedor e traiçoeiro ao mesmo tempo. Que a triste tragédia no Japão nos faça refletir sobre isso e perceber que existe algo para além da enganosa segurança humana, pois existe um Deus poderoso que é amparo verdadeiro e imóvel.

Bendito seja Deus, o Todo-Poderoso, o Todo-Justiça, o Todo-Amor!

Sola Scriptura.

OS JOVENS TAMBÉM SÃO DE CRISTO

Nesta semana estou no Seminário Palavra da Vida Norte como preletor do acampamento jovem 2011 cujo tema é: Liga da justiça. Aproveitei a oportunidade para expor Romanos capítulos 1, 5, 6 e 10 tratando sobre o Evangelho, a vida do crente, a santificação e a proclamação da Palavra.

Não posso negar que tem sido gratificante ver mais de 200 jovens demonstrarem desejo de santidade e envolvimento intimo com o Senhor e Sua obra por obediência à santa Lei do Senhor Deus.

Aí está a soberania divina, a preservação do seu povo. É a perseverança dos santos que atinge, não somente  os adultos, os idosos, as crianças, mas também os jovens. O amor de Deus não possui idade, Ele ama a todos os seus eleitos. Digo isto porque contrasto os jovens que estão aqui com aqueles que estão no mundo, na depravação total. Como é gratificante perceber a sensibilidade dada por Deus para que sintam desejo em servi-lo até o fim.

Como sou pai de dois filhos, João (12 anos) e Ana (10 anos), sinto um grande consolo, pois sei que Deus vai cuidar de cada um deles uma vez que ambos já professam a fé em Jesus. A obra iniciada terá o seu desfecho. Faço minhas as palavras de João em sua primeira carta: “Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.”

Sola Scriptura

LAMENTAÇÕES PARA 2011

Mais um ano se passa! Muitos tentam contabilizar o que passou para detectar os erros e acertos. Os acertos para continuarem, os erros para exterminarem. Com isso fazem promessas à família, aos amigos, à igreja e a Deus sobre as novas atitudes para o ano que vem. São as dietas, os exercícios físicos, a leitura da Bíblia, a atuação em um ministério, o estudo mais apurado etc. Quero dizer que tais promessas para o novo período que se aproxima são válidas, todavia não sei se serão exeqüíveis. Muitos compromissos são abandonados ainda em fevereiro. Como somos levianos!

Mas de duas coisas eu tenho convicção nessa transição entre 2010 e 2011, são as certezas do profeta Jeremias descritas em Lamentações 3 com relação às promessas do Senhor, essas nunca falham.

A primeira é: se chegamos até aqui, tudo ocorreu pelas misericórdias do Senhor, pois as misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim (Lamentações 3: 22). Se vivemos, se estivemos bem em nossa casa, se tivemos o nossos sustento para o alimento e roupas, se estivemos salvos da morte eterna, tudo aconteceu por causa das misericórdias do Senhor.

A segunda: estas misericórdias me acompanharão ao longo do ano que se aproximas, pois as misericórdias do SENHOR renovam-se cada manhã (Lamentações 3: 23). Posso sossegar o meu coração ao saber que estarei sempre nas mãos de um Pai que me ama e que busca sempre o meu bem.

Portanto, sabendo que a fidelidade do Senhor é grande (Lamentações 3: 23), não tenho o que temer. Minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele (Lamentações 3: 24).

A todos os meus caríssimos leitores, um feliz 2011 sob misericórdias do Senhor!

Sola Scriptura

A PREDESTINAÇÃO E A MINHA INCOMPETÊNCIA

Queridos amigos, uma ovelha enviou esse texto para mim, acho que vale a pena lê-lo.

Sola Scriptura


"Era um domingo a tarde quando comecei a ler um jornal que estava jogado no chão da minha sala. Numa nota de pesar o nome nada comum me chamou a atenção. Tratava-se de um senhor que havia sido meu chefe em meu primeiro emprego, oito anos atrás. Ele havia morrido!

Eu tinha dezoito anos quando começamos a trabalhar juntos, e ele, 64. Como é comum em algumas Secretarias, havia muita gente para pouco trabalho, assim, tínhamos tempo de sobra para papear sobre os mais diversos temas. Nessas conversas, não foram poucas as vezes que preguei o evangelho para ele. Havia muito respeito e interesse da parte dele naquilo que eu falava, mas ele nunca se converteu.

A notícia do jornal me fez lembrar desses momentos e das vezes que até angustiada eu tentava fazer aquele homem entender a graça de Deus, contrastando-a com os seus inúteis esforço para alcançar a redenção. Às vezes me pego repassando algumas dessas conversas imaginando como eu poderia explicar tudo de uma forma melhor. Eu não passava de uma adolescente que não sabia nada da vida. Hoje, com quase 26 anos (praticamente um idosa) eu teria muito mais argumentos. Os meus métodos de evangelismo melhoraram, assim como a minha retórica. Eu amadureci. Eu cresci espiritualmente. Se eu pudesse ter só mais uma conversa com ele, dessa vez ele iria se converter! Mas essa conversa nunca ocorrerá, e muitas vezes me culpo por não tê-lo procurado antes para falar mais uma vez sobre o Senhor.

Mas será que, de fato, hoje meus argumentos fariam com que aquele homem se convertesse? Se a resposta for sim, posso, então, dizer que a minha incompetëncia mandou-o para o inferno.

Muitos acham que a predestinação é injusta e eu não vou fingir aqui que a compreendo. Mas mais injusto seria a salvação de uma vida depender de um ser humano limitado. Deus não coloca esse peso sobre nós porque ele mesmo disse que o seu fardo é leve. Não. Aquele homem não rejeitou ao Senhor em seu coração porque meus argumentos eram fracos, ou pela minha inexperiência ou por que eu não soube me expressar. (se o meu pastor Alfredo, que consegue fazer um cachorro sair do seu gabinete jurando que é um gato e miando, tivesse conversado com o meu chefe, ainda assim ele não teria se convertido...rsrsrrs).

Hoje eu sei que aquele homem não foi escolhido por Deus. Por que? Eu não sei. Por que eu fui? Tampouco... O que eu sei é que os pensamentos dele são altos demais para que eu possa alcançá-los. Deus nos deu o privilégio de pregar o evangelho, não o peso. Quem realiza a obra é ele. UFA! Obrigada, Senhor!

Eu contiuo sem entender a predestinação. Mas eu consigo hoje encará-la como mais uma demonstração do amor de Deus por mim. Eu ainda gostaria que Deus tivesse escolhido a todos. Eu ainda gostaria que o inferno não existisse para que amigos e parentes não tivessem que passar a eternidade ali. Eu queria que o meu ex-chefe estivesse hoje com o Senhor.

Mas ainda que eu não compreenda seus atos, eu sei que o meu Deus é Santo, Reto e, acima de tudo JUSTO!

A Ele toda a Glória!"

É NATAL! E AGORA, O QUE ESCREVER?



Fiquei a pensar sobre o que escrever em mais um Natal. Não que os assuntos sejam escassos, a questão é que todos já estão mais que batidos.

Eu poderia escrever sobre a imprecisão da data, ou seja, que Jesus não nasceu em Dezembro ou Janeiro (como quer a Igreja Cristã Oriental), pois essa época é extremamente fria na região da Judéia e os pastores, conforme o Evangelho de Lucas 2: 8 – 20, não estariam no campo com suas ovelhas. Aliás, por esta informação do evangelista, o nascimento do Salvador se deu, provavelmente, entre maio e julho.

Eu poderia escrever sobre a já tão batida questão da incorporação do paganismo romano ao cristianismo. Refiro-me às antigas comemorações do solstício, festa celebrada pelos pagãos do império romano e que serviu de inspiração para o atual “25 de dezembro”. Poderia até reforçar dizendo que a Igreja Primitiva, antes da suposta conversão de Constantino, nunca festejou o nascimento de Jesus.
Eu poderia escrever sobre os elementos estranhos que nada têm a ver com Jesus. Temos a árvore e a guirlanda, elementos da flora que serviam como objetos de adoração aos antigos nórdicos, elementos esses que passariam a simbolizar o Natal. Há as luzes que tremulam nas casas, perpetuando a memória das velas utilizadas nos templos católicos. Há o São Nicolau de Myra (conhecido por aqui como Papai Noel) que, com sua indumentária “made by Coca-Cola Company”, alegra a imaginação dos que querem receber presentes e agrados.
Eu ainda poderia escrever sobre o maldito consumismo exacerbado estimulado pela mídia que, por seus fortes apelos, leva muitos ao crime do roubo. Há a famosa “depressão natalina” que aumenta os rendimentos dos psicólogos e dos psicanalistas. Há as mensagens de solidariedade, amor e caridade, mensagens essas totalmente esvaziadas de sentido.

Como vocês podem ver, eu poderia revelar muita coisa...
Mas o que importa tudo isso? Em que cresceríamos diante dessas informações tão batidas? Diga-se de passagem, o Natal como comemoração mais divide do que ajunta, mais rui do que edifica, mais escandaliza do que estabiliza. E é por esse motivo que, para mim, o Natal nada significa.

Aliás, o Natal nada tem a ver com o fato de que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Ou seja, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Como resultado, posso afirmar que fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal (João 3: 16, 17; Gálatas 4: 4, 5; 1 Timóteo 1: 15). Não, não, esta poderosa mensagem nada tem a ver com o Natal. Natal é vazio, Natal trata de paz e amor que não ultrapassam o coração depravado do homem sem Cristo.

O que escrever a mais? Apenas isto: muito obrigado meu Senhor pelo nascimento do meu Salvador, evento histórico que ratificou a minha salvação e eleição. Evento que nada tem a ver com as celebrações do Natal!

Sola Scriptura!

POETA AMADOR ou AMANDO E COMPONDO

Recentemente li um texto escrito por um pastor pentecostal muito otimista para o meu gosto. Diante de tudo que tenho visto e acompanhado me deu vontade de compor uma poesia. Sei que não é lá essa coisa toda, mas, pelo menos, é sincera. Então, vamos lá:

Mundo mal, mundo vil, mundo indecente,
Para que sorrir? Para que esperar? Para que estar contente?
Que esperança há em ti, mundo imundo, carregado de iniqüidade?
Só há desconfiança na confiança que se frustra.
Por que buscar alegria numa bondade mentirosa, numa fonte que maquina o mal?
Não há esperança, não há amor. E por mais que eu tente achar no tal,
Decepciono-me por buscar água límpida na fonte estagnada, imoral.
Meus olhos devem te contemplar, oh Deus!
Dos olhos da maldade que olham a grandeza de um olhar de amor.
Não perder tempo e ter tempo para te contemplar.
Sim, minha esperança é o Senhor, soberano Senhor,
Que de um enraizado faz um peregrino, andarilho para a glória.
Sim, minha esperança é o Senhor, soberano Senhor,
Que de um destruído faz um construtor, pessoa sóbria.
Dos ruídos na perdição, que ruem ao som da morte,
Posso clamar pela esperança sob o som triunfante do Deus vivificante.
Com o que se alegrar? Não com o efêmero abjeto, mas com o eterno sublime.
Não devo odiar aqueles que falham comigo, não há surpresas,
Não devo esperar por este mundo aborrecível, não há surpresas,
Somente o Senhor é o motivo da minha alegria, não há surpresas.
Miserável é aquele que tenta poetizar onde não há inspiração,
Maldito o que confia na ruína, desgraçado o que espera nas surpresas.
Bendito é o Senhor, única fonte da poesia, cacimba da prosa.
Somente o Senhor, amoroso Senhor, meu escolhedor.
Como bradar? Sim, há o que bradar, não desabafando, mas acertando:
Mundo mal, mundo vil, mundo indecente, de ti saí, dissabor que não me instiga.
Deus bondoso, Deus precioso, Deus justo, de mim te achegaste, amor que me inspira.

POVOS EXTINTOS E A PREDESTINAÇÃO – uma reflexão particular sobre a justiça divina

Muito se tem escrito sobre a Predestinação. E os defensores dessa doutrina usam como fundamento as Escrituras, fonte inequívoca das informações sobre a total e absoluta soberania de Deus. É por esse motivo que a Teologia Reformada não se cansa em afirmar sobre a morte de Cristo pelos eleitos, uma vez que o Senhor já determinou de antemão aqueles que iriam ser salvos. Dito isto, esclareço que o meu desejo aqui não é argumentar naquilo que já está fartamente divulgado e publicado por meio da Teologia Bíblica e Sistemática. Meu desejo aqui, conforme expresso no título acima, é refletir sobre o tema Predestinação a partir de um ponto mais focal, particular e empírico: os povos e etnias que já desapareceram no passado remoto.

Por meio dos achados arqueológicos e da etno-história somos informados sobre os muitos povos que surgiram, se desenvolveram e sucumbiram sem deixar um membro sequer. Foram nações que, embora tenham alcançado momentos de glória ou de vantagens tecnológicas da época, em um dado momento da sua trajetória deixaram de existir. Alguns desapareceram pela interação cultural; outros por relacionamento interétnico; outros minguaram pela grande quantidade de batalhas sangrentas, epidemias ou escassez de alimentos; outros foram brutalmente dizimados por povos inimigos mais numerosos ou poderosos nas artes bélicas.

Até aqui não há novidade nenhuma, e imagino que uma pergunta pode surgir: “qual a relação entre a existência e extinção de povos antigos e a predestinação de Deus à salvação?” Minha resposta e proposta neste artigo é que as duas realidades promovem uma reflexão fundamental no que diz respeito à justiça de Deus. Quero, então, ponderar sobre este contexto tomando por base as duas maiores afirmações teológicas sobre a salvação: a arminiana e a reformada.

Segundo a Teologia Arminiana, os indivíduos são dotados de livre-arbítrio, ou seja, Deus não interfere nas decisões humanas e está sempre aguardando o homem decidir se quer ou não a expiação que, por definição, abrange toda humanidade. Com isso afirmam a necessidade vital do contato com a informação sobre o plano de salvação para que as pessoas tenham a oportunidade de escolher ou resistir à salvação. Bem, se para os arminianos isso reflete a justiça de Deus, também é neste ponto que encontramos um grande paradoxo quando pensamos nos povos supramencionados. Todos concordam que muita gente viveu em épocas em que seria humanamente impossível conhecer o Evangelho. A falácia mórmon da visita de Cristo à América não passa de uma lenda espetacular gerada pela mente frutífera de Joseph Smith. Neste caso, então, todos concordam que muitas etnias surgiram, viveram e desapareceram sem a possibilidade de um evangelista se infiltrar no meio deles para dar-lhes a oportunidade de escolha. E isto ocorreu sem que houvesse culpa ou negligência da parte do povo de Deus. Por exemplo, como Abraão poderia em sua época falar do Senhor Deus aos povos do extremo oriente? Ou como Isaías poderia pregar aos povos distantes do continente europeu? Ou como Filipe poderia evangelizar sobre Cristo aos ameríndios nas terras baixas da América do Sul? Vejam que aqui não há negligência, o que há é a impossibilidade temporal, geográfica e cultural, pois o progresso da evangelização estava atrelado às limitações naturais do homem em seu tempo e espaço. O próprio crescimento da igreja acompanhou o ritmo lento da caminhada humana em seu desenvolvimento tecnológico e conhecimento da existência de outros povos em regiões remotas.

Agora pensemos no futuro e a presença destes povos diante do trono de Deus no dia do juízo. No momento do veredicto divino, imaginemos alguém bradar: “como posso ser condenado por algo que não pude escolher?” Percebam que o arminianismo possui este corolário uma vez que a salvação individual depende da escolha de cada um. A dificuldade surge quando não se pode escolher sobre aquilo que nunca se ouviu. Claro que se pensarmos em épocas posteriores ao século XVI concluiremos que as igrejas possuíam a responsabilidade de enviar missionários ao continente americano. Mas, e antes quando ninguém conhecia a existência dos povos indígenas ou do longínquo continente? Como Deus pode ser justo em condenar estes povos sem ter dado a eles a oportunidade de escolha? Aqui temos um problema moral grave, ou seja, se o arminianismo está com a razão, o resultado é um ato injusto da parte de Deus, pois sua condenação cairá sobre pessoas que nunca tiveram contato com a sua Lei especial que menciona a possibilidade da salvação. Se, porventura, os teólogos lançarem mão sobre o texto que afirma sobre o fato do homem ser indesculpável pela revelação natural, ainda assim sabemos que a salvação vem pelo ouvir a Palavra de Deus. E o problema criado por este ramo teológico permanece.

Diante deste sério paradoxo, percebemos que a visão reformada é, sem dúvida nenhuma, muito mais coerente, uma vez que sempre vai resultar num Deus eternamente justo em seu caráter e atos. Isto concorda com uma posição mais bíblica: a Predestinação.

Segundo a Teologia Reformada, Deus, em sua soberana vontade, elegeu incondicionalmente o seu povo, retirando-o da condenação, da morte espiritual e da depravação total, situações advindas pela escolha dos nossos primeiros pais: Adão e Eva. A conversão só ocorre aos eleitos que, ao compreenderem o plano de salvação divino pela evangelização e pela iluminação do Espírito Santo, não podem resistir à graça. Por isso há um ponto muito importante a ser destacado: a expiação de Cristo alcança apenas os predestinados. Em palavras mais simples, Deus, soberanamente, elegeu somente alguns para a salvação eterna. Conseqüentemente, o pecador será condenado, não por que deixara de escolher a Cristo mediante a pregação do Evangelho, mas por que está em depravação total pelo pecado ocorrido no Éden. Ninguém, neste caso, poderá dizer, no dia do julgamento final, que Deus foi injusto por não ter dado a chance de escolha entre Cristo como salvador e a condenação. Pelo contrário, todos, sem exceção alguma, tremerão diante da justiça de Deus que é perfeita, misericordiosa e absoluta.

Aqui neste contexto podemos inserir os antigos povos que surgiram, viveram e desapareceram em tempos imemoriais sem ouvirem uma palavra sequer do Evangelho. Eles serão condenados justamente, pois para isto foram destinados e, em Adão, isto escolheram.

Concluo dizendo que não é meu objetivo nesta reflexão minorar a responsabilidade da inadimplência missionária. Há uma ordem específica para que preguemos o Evangelho a toda criatura, não fazê-lo é pecar por desobediência. Até porque a salvação vem pelo ouvir, por isso todo crente possui esta dívida para com os descrentes. O que quero ressaltar aqui é a situação de povos antiqüíssimos que nunca ouviram a palavra de salvação devido ao momento em que viveram, paralelo ao desenvolvimento que a Igreja passava temporal e geograficamente. Muitos arminianos nos acusam de imputar ao Senhor Deus atos de injustiça por retirar do homem o livre-arbítrio. Mas o problema é muito mais grave do outro lado, pois se Deus supostamente deixou a escolha ao homem em decidir entre a salvação ou não, qualquer um que não tenha ouvido sobre esta salvação, sendo-lhe retirada a possibilidade de opção, sentirá o direito de fazer uma afirmação absurda e totalmente inverídica: “Deus é injusto em alguns casos na trajetória humana”. É claro que não é assim que encontramos nas Escrituras. E, embora esta reflexão esteja pautada muito mais na busca de uma coerência empírica, seu resultado aponta para o que já conhecemos conforme registrado nas Escrituras, ou seja, nosso Deus é eternamente soberano, misericordioso, livre e, acima de tudo, santo e justo.
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