A PREDESTINAÇÃO E A MINHA INCOMPETÊNCIA

Queridos amigos, uma ovelha enviou esse texto para mim, acho que vale a pena lê-lo.

Sola Scriptura


"Era um domingo a tarde quando comecei a ler um jornal que estava jogado no chão da minha sala. Numa nota de pesar o nome nada comum me chamou a atenção. Tratava-se de um senhor que havia sido meu chefe em meu primeiro emprego, oito anos atrás. Ele havia morrido!

Eu tinha dezoito anos quando começamos a trabalhar juntos, e ele, 64. Como é comum em algumas Secretarias, havia muita gente para pouco trabalho, assim, tínhamos tempo de sobra para papear sobre os mais diversos temas. Nessas conversas, não foram poucas as vezes que preguei o evangelho para ele. Havia muito respeito e interesse da parte dele naquilo que eu falava, mas ele nunca se converteu.

A notícia do jornal me fez lembrar desses momentos e das vezes que até angustiada eu tentava fazer aquele homem entender a graça de Deus, contrastando-a com os seus inúteis esforço para alcançar a redenção. Às vezes me pego repassando algumas dessas conversas imaginando como eu poderia explicar tudo de uma forma melhor. Eu não passava de uma adolescente que não sabia nada da vida. Hoje, com quase 26 anos (praticamente um idosa) eu teria muito mais argumentos. Os meus métodos de evangelismo melhoraram, assim como a minha retórica. Eu amadureci. Eu cresci espiritualmente. Se eu pudesse ter só mais uma conversa com ele, dessa vez ele iria se converter! Mas essa conversa nunca ocorrerá, e muitas vezes me culpo por não tê-lo procurado antes para falar mais uma vez sobre o Senhor.

Mas será que, de fato, hoje meus argumentos fariam com que aquele homem se convertesse? Se a resposta for sim, posso, então, dizer que a minha incompetëncia mandou-o para o inferno.

Muitos acham que a predestinação é injusta e eu não vou fingir aqui que a compreendo. Mas mais injusto seria a salvação de uma vida depender de um ser humano limitado. Deus não coloca esse peso sobre nós porque ele mesmo disse que o seu fardo é leve. Não. Aquele homem não rejeitou ao Senhor em seu coração porque meus argumentos eram fracos, ou pela minha inexperiência ou por que eu não soube me expressar. (se o meu pastor Alfredo, que consegue fazer um cachorro sair do seu gabinete jurando que é um gato e miando, tivesse conversado com o meu chefe, ainda assim ele não teria se convertido...rsrsrrs).

Hoje eu sei que aquele homem não foi escolhido por Deus. Por que? Eu não sei. Por que eu fui? Tampouco... O que eu sei é que os pensamentos dele são altos demais para que eu possa alcançá-los. Deus nos deu o privilégio de pregar o evangelho, não o peso. Quem realiza a obra é ele. UFA! Obrigada, Senhor!

Eu contiuo sem entender a predestinação. Mas eu consigo hoje encará-la como mais uma demonstração do amor de Deus por mim. Eu ainda gostaria que Deus tivesse escolhido a todos. Eu ainda gostaria que o inferno não existisse para que amigos e parentes não tivessem que passar a eternidade ali. Eu queria que o meu ex-chefe estivesse hoje com o Senhor.

Mas ainda que eu não compreenda seus atos, eu sei que o meu Deus é Santo, Reto e, acima de tudo JUSTO!

A Ele toda a Glória!"

24 comentários:

pablo disse...

O ato de amar os outros até o fim, com um interesse real, perseverante, por vê-los salvos, é a única coisa que preenche o grande abismo da nossa limitação...

pablo disse...

pablomonteiro1985@hotmail.com

Pastor, um abraço!

Anônimo disse...

Estou abismado. Este Sr. Aleatoriedade nada tem a ver com o Pai de Jesus Cristo, que "não quer que nenhum se perca". E não adianta argumentar com termos gregos, porque ele não quer mesmo, isso o demonstrou Jesus Cristo. Onde chega nossa (ou melhor, de vocês) vã teologia! Um absurdo que seu Mistério seja maior que seu Amor. Não é o que diz João. Pasmado estou!

Alfredo de Souza disse...

Caro Anônimo.

O assunto passa pelo viés da teologia. No caso do texto, trata-se da teologia reformada; já o seu viés, creio ser o arminianismo.

Anônimo disse...

Caro anônimo,

aqui é a autora do texto.

Eu entendo como a doutrina da predestinação é complexa e parece injusta (deixei isso claro no texto) E sei que a sua visão teológica é igual a de muitos irmãos em Cristo. Agora, abismada estou eu de vc entrar num blog de um pastor presbiteriano e querer ler algo diferente disso. Isso é teologia reformada. Isso é o que creem as igrejas calvinistas. Ou você nunca tinha ouvido sobre João Calvino e a doutrina da predestinação?

Fábio Vaz disse...

Que bom encontrar mais um blog reformado (encontrei este através d'O Tempora! O Mores!). Parabéns Pr. Alfredo, por difundir as Doutrinas da Graça. Querendo visite nosso blog: www.alegrem-se.blogspot.com.
Abraços

simone quaresma disse...

Algo que sempre facilitou o meu entendimento deste tema, foi lembrar que Deus não escolheu santos em detrimento de outros. Ele escolheu alguns miseráveis pecadores, dentre uma humanidade inteira já condenada à morte eterna("...no dia em que dela comeres, CERTAMENTE morrerás."). Vendo assim, o justo seria condenar toda a humanidade, já que segundo
Paulo, por um só homem a morte passou para todos os homens. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, resolveu salvar alguns(lembrando: de um grupo que deveria ser condenado INTEIRO). Por isso, esta doutrina aquece-me o coração, e me põe pasma diante do Senhor agradecendo por tão grande e imerecida salvação!!!!

Alfredo de Souza disse...

Queridos Pablo, Baff e Fábio, sejam bem-vindos por aqui.

Hermes C. Fernandes disse...

Olá Alfredo!

Êita campo minado, hein?

Parabéns pela proposta e pelo excelente conteúdo do blog. Já estou seguindo!

Aproveito para lhe convidar a conhecer o meu blog, e se desejar também segui-lo, será uma honra. Seus comentários também serão sempre bem-vindos.

www.hermesfernandes.blogspot.com

Te espero lá!

Ingra disse...

Boa tarde! Que dizer então que o Pablo, o Baff e o Fábio são bem-vindos mas quem não tem as mesmas idéias,opiniões e conjecturas suas não são... então só escreve para os que dizem amém amém amém como se fossem um bando de robôs programados!Em troca de bajulações e elogios? Se Deus não faz acepção de pessoas , porque vc o faria? Somos todos pecadores e necessitamos da graça divina dia após dia. Se o Sr. escolheu estar na blogosfera, se prepare para ouvir as mais diversas e impactantes opiniões acerca do que discorre aqui.O que te leva a crer que é melhor que o outro?

Alfredo de Souza disse...

Ingra, sinceramente, não entendi o porquê da reprimenda!

Ingra disse...

kkkkkk... essa é muito boa reprimenda...O Sr. é engraçado.Desculpe o tom da reprimenda mas estava "comprando a briga" do anônimo lá.Quando o Sr. falou bem vindo aos outros e não citou o anônimo.Me coloquei no lugar dele e pensei um pouco que todos podemos expressar nossas opiniões, de forma civilizada é claro.Ele apenas enfatizou sobre o amor.Esse amor do qual temos recebido de Deus quando seu filho se doou por nós. Jesus não morreu e ressucitou só por uma meia dúzia ou até 1 dúzia, mas pra todos que o recebem verdadeiramente e se tornam filhos de Deus.O povo judeu era o povo escolhido de Deus , mas o que fizeram? Rejeitaram o Senhor Jesus. Por isso não foram predestinados???

Anônimo disse...

Sou o anônimo abismado que escreveu anteriormente. A resposta do pr. Alfredo é uma pérola em termos de discussão viciada, formatada e condicionada ("O assunto passa pelo viés da teologia. No caso do texto, trata-se da teologia reformada; já o seu viés, creio ser o arminianismo"). Na verdade, esses rótulos são o fim da discussão. Não sou arminiano. Teria a Bíblia, livro riquíssimo, condições de ser percebida por meio de caracterizações tão estanques e opostos como calvinismo e arminianismo? Que tal perceber a contribuição de um e outro e partir para outros modos de pensar? Não há terceira via? Quarta? Repito, porém: o calvinismo, que conheço minimamente, não pode ser reduzido ao que o texto propõe, falo em termos de soteriologia. E parem de rotular, rotular, rotular. As pessoas se dividem em mais do que calvinistas e arminianistas. Ainda bem. Ainda bem.

Nat disse...

Gostei quando vc escreveu q a salvaçao do homem nao dependia da tua retorica; de fato, e assim q acontece. Agente pode viver pregando pra alguem, fazer os mais variados apelos, mas quem converte e o Espirito Santo. Mas e o que faz o ES converter ciclano e nao fulano? sei la! Deu sabe. O fato e q nem todo mundo q diz "aceito", se converte de verdade.

Alfredo de Souza disse...

Caro Anônimo (é difícil tratar com alguém quando não se sabe o nome).

Não sei exatamente o que você quis dizer com "rótulos". Se significa um sistema de representações teológicas, então não há ninguém no mundo que sobreviva sem "rótulos". Com relação à Teologia, há, sem dúvida alguma, outras vias de interpretação. Todavia, quando você se refere à Teologia, penso que está se referindo à Sistemática (acertei?). Neste caso, a sistematização teológica serve apenas como parâmetros, um tipo de limite hermenêutico. Mas também possuímos a Teologia Bíblica (a minha preferida) onde encontramos o cerne da interpretação. Portanto, não há como ser objetivo, imparcial ou livre na leitura das Escrituras Sagradas, sempre traremos um "rótulo" (para usar a sua linguagem). Como comprovação disso, cito a sua fala acima.

Alfredo de Souza disse...

Querida Nat.

Quando afirmamos que o trabalho da conversão pertence ao Espírito Santo (veja que mesmo os arminianos pedem para que orem nesse sentido no momento do apelo) significa dizer que cremos no monergismo. O texto de Efésios 2: 8 diz que nem a fé vem de nós ou do nosso trabalho, tudo vem de Deus pelo seu Espírito.

Beijão.

Alfredo de Souza disse...

Ingra.

O sacrifício de Cristo é suficiente para salvar toda a raça humana, mas é eficiente apenas aos eleitos.

Quanto a Israel, os eleitos foram salvos pela fé a exemplo do pai Abraão. Aliás, a nação de Israel era a Igreja do Senhor no VT. Igreja essa que continua hoje por meio de nós.

Vale lembrar que há conversão entre os israelenses sim (não confundir com os israelitas = Israel de Deus) quando se arrependem e se voltam para Jesus.

Anônimo disse...

Caro Alfredo, sinto não identificar-me. O ambiente teológico da IPB é vigiado. Não permite que se pense além dos limites impostos. Corro riscos. Com rótulos, refiro-me à postura reducionista que eles exprimem. Só porque meu primeiro comentário foi discordante do texto do blog, fui reconhecido como "arminiano", o que não sou. Não é possível não rotular, como você diz, mas é possível mudar a postura frente aos outros e seus pensamentos. O rótulo compre uma função discriminatória, reducionista, como falei há pouco, e trava o debate, pois o outro já é classificado de antemão em certo modo de pensar, que não necessariamente é o seu. Seu reconhecimento de que não há leitura imparcial da Bíblia é um argumento importante para maior tolerância e pluralidade em relação a outras interpretações, pois por melhor que minha leitura seja, não é isenta de erros e equívocos. Mais um motivo para não nos aferrarmos aos rótulos, os nossos e os que damos aos outros. E quanto à teologia bíblica ser preferida, penso ser ingênuo pensar que ela é mais "pura" que a sistemática, como seu comentário dá a entender. Até mais. E obrigado pela atenção.

Anderson Costa disse...

Ao mesmo tempo que eu fico contristado de saber a situação de muitos amigos que não conseguem ouvir, confiar e crer no evangelho de Cristo. Mas ao mesmo tempo sinto uma paz celestial que toma minha alma por saber que eu tbm estava na mesma cituação que ele e que por algum motivo que não compreendo direito eu ouvir, confiei e cri.

Alfredo de Souza disse...

Caro Anônimo, não creio que o ambiente teológico da IPB seja tão vigiado, mas respeito o seu temor. Quem sabe você poderia usar um pseudônimo? Isso o protegeria.

Com relação ao rotular o irmão como "arminiano", desculpe por fazê-lo apressadamente, mas foi o que o seu texto comunicou em primeira instância. Felizmente ou infelizmente os rótulos são parte das nossa representações cotidianas. Expressões como: brasileiro, nordestino, conservador, esquerdista, fundamentalista, arminiano, inteligente, prebiteriano, assembleiano, honesto etc. etc. São prova do que digo. Alguns rótulos são para que se dê conta da alteridade, outros para elogios, e outros para depreciar, e assim vai.

Eu penso que as terminologias: arminianismo e calvinismo são excludentes, embora creia, por exemplo, que a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana, como também como na existência da livre-agência (que não pode ser confundida com o livre-arbítrio).

Já a preferência pela teologia bíblica (TB) sobre a teologia sistemática (TS) e vice-versa, isso é muito subjetivo. Para mim, a TB é muito satisfatória que a TS. Ela me responde muito mais, embora, como já tenha dito, a TS forma um parapeito seguro e necessário à nossa hermenêutica. Mas quando há uma contradição entre a TB e a TS, sempre fico com a TB. Mas como já afirmei, isso é subjetivo.

Forte abraço.

Alfredo de Souza disse...

Caro Anderson, de fato é Deus que nos busca para chamar e restaurar. É o famoso monergismo sobre cada um de nós.

Abraço.

Alfredo de Souza disse...

Querida Simone, sempre bem-vinda por aqui.

Anônimo disse...

Sou eu, o anonimo. Fica sendo este meu pseudonimo... Em ultima análise, arminiano, calvinista, pluralista jamais podem ser a oisa mais importante. O que vale é se somos 'gente', se o evangelho nos move e comove. Que adianta um arminiano ou um calvinista belicoso, rude, cruel? Minha cisma, no entanto, é que determinadas posições 'teóricas' conduzem, mais facilmente, à guerra ou a paz. Todo fundamentalismo que se transforma em intransigência ou faz cessar o diálogo ou a convivência é prejudicial. Muitos cristãos (presbiterianos) são até cruéis em defesa de sua 'verdade'. Esse é o problema. Claro que não falo de ti, pois nem o conheço, e mesmo simpatizo com suas respostas pensadas e não ofensivas. Estamos falando de rótulos, mas o mais importante é o que somos por detrás deles. Sinto, no entanto, que o ambiente da IPB é, sim, vigiado, e que se determinadas pessoas souberem quem eu sou, certamente me fecharão portas à primeira oportunidade. Abçs, anonimo.

Alfredo de Souza disse...

Caro Anônimo.

Continuo achando que a IPB não está com essa força toda no que diz respeito à vigilância, a não ser nos âmbitos de alguns Presbitérios, aí tudo bem.

Com relação aos rótulos, concordo que há os que matam por isso. Lembra que afirmei dizendo: "Alguns rótulos são para que se dê conta da alteridade, outros para elogios, e outros para depreciar, e assim vai" e acrescento que alguns são justificativas para a violência e o desrespeito. Portanto, a utilização dos rótulos depende da maturidade e da vida com Deus que o indivíduo possua.

Insisto que a nossa subjetividade quanto às representações da alteridade só se estabelece por meio da rotulação. Se isso é bom ou não, depende do rotulador por assim dizer.

Forte abraço.

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