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A MÚSICA NO CULTO

A música no culto, longe de ser um assunto pacífico, sempre foi um terreno de grandes debates. Desde os primórdios da Igreja, cantar ao Senhor tem sido grande desafio, pois o que se deve expressar é unicamente a Palavra de Deus, nada mais. Acontece que nem sempre é assim. Muitos se reúnem para prestar culto a Deus, mas fazem da música o seu momento particular, cantam músicas que satisfazem ao coração humano em detrimento da rígida preocupação com aquilo que o Senhor Deus está ouvindo ao ser adorado.

Mas, afinal de contas, o que vem a ser música? Fazer uma definição sobre o que vem a ser a música do ponto de vista humano é praticamente impossível, embora ela esteja presente na natureza abundantemente. Por outro lado, a música foi criada por Deus com a finalidade de promover a Sua glória. Isto não anula o fato de ela ser uma forte expressão cultural que reflete, inclusive, a tendência social vigente. A música pode ser, em linhas gerais: erudita, popular ou folclórica quanto ao ritmo e à poesia.

Boa parte da Igreja hoje possui a tendência de estabelecer a seguinte divisão: “música mundana” e “música evangélica”, como se a evangélica, em sua natureza, é sempre boa enquanto a mundana é sempre essencialmente má. Não concordo com esta visão maniqueísta, prefiro pensar que existe a música apropriada (íntegra) e a música inapropriada (corrompida), não interessando o tema que aborda. Ou seja, eu posso ouvir uma música que fala sobre a natureza, a roça, o amor genuíno entre um homem e uma mulher e perceber ali verdades que apontam para o Senhor Deus, ao mesmo tempo em que posso ouvir uma música que aborda o Senhor Deus e Seu Reino e perceber nela mentiras e heresias que nos distanciam da Verdade de Cristo.

É importante ressaltar que a música no culto deve se adequar ao momento solene. Uma determinada composição pode ser verdadeira, mas isto não significa que está automaticamente adequada ao momento da adoração a Deus. No culto a Igreja tem o dever de cantar somente as Escrituras

Em linhas gerais, a música é a junção de dois pontos: a impressão e a expressão. A impressão está ligada ao ritmo, ao tom (maior ou menor), ao gênero musical etc. A expressão é o argumento apresentado, o conjunto de fé que se professa, é o texto lido enquanto cantamos. Portanto a música é a união da melodia e a mensagem. E é exatamente aqui que o problema começa, pois a tendência litúrgica atual mostra que as preferências ligadas à música cantada no culto solene valorizam muito mais a impressão acima da expressão. Não importa se eu canto “doce Espírito, doce Espírito, vem nos inundar numa onda de louvor”, pois se a melodia com o seu ritmo me fazem bem, então não importa se a frase cantada não faz o menor sentido para a Igreja reunida.

Para provar o que estou dizendo, trago alguns exemplos estabelecendo o contraste entre a música e à teologia revelada nas Escrituras:

Música: “Espírito, oh, Espírito, nós te invocamos, poder de Deus.” ou “Eu creio em Deus Pai, Senhor Todo-Poderoso. Eu creio no Filho, Unigênito de Deus. Eu creio no Espirito Santo, poder enviado a nós dos céus.”
Escrituras: O Espírito Santo já foi derramado e habita em nós, não há a necessidade de invoca-lo. Ele não é o poder de Deus, Ele é Deus.

Música: “Transforma a minha vida, me faz um milagre, me toca nessa hora, me chama para fora, ressuscita-me.”
Escrituras: O crente foi transformado no momento da sua conversão quando ressuscitou e assentou-se nos lugares celestiais em Cristo. Pedir por isto novamente é diminuir a obra de Cristo realizada em nós no passado.

Música: “Pai, como achaste a Davi, vem e derrama sobre mim o óleo precioso da unção.”
Escrituras: O crente já foi ungido pelo Senhor quando derramou o Espírito Santo no momento da conversão, fazendo-o um sacerdote real.

Música: “Quebra as cadeias, quebra as correntes, quebra os grilhões e as amarras, vem derrama a paz em cada coração, em nossos corações.” ou “Ao sentir teu toque por tua bondade, libertas meu ser no calor deste lugar.” ou ainda “Deixa o teu rio, passar em minha vida e curar minhas feridas, sarar as minha dores, livra-me ó Deus, das cadeias que me prendem, toca em minha'alma,faz de mim o teu querer, Senhor.”
Escrituras: A Verdade do Evangelho de Cristo já nos libertou de todas as correntes e o Senhor já nos deu a paz ao sermos justificados.

Música: “Que o teu reino venha sobre nós...”
Escrituras: O crente já habita o Reino de Deus desde a sua conversão.

Música: “Desde o dia em que aceitei Jesus, um mundo novo se abriu para mim.”
Escrituras: Não fomos nós que aceitamos a Cristo, Ele nos aceitou mediante o Seu sacrifício vicário na cruz.

Música: “Meu amigo, hoje tens a escolha, vida ou morte, qual vais aceitar? Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar.” ou “Deixa a luz do céu entrar, deixa o sol em ti nascer; abre o coração que, Cristo vai entrar e o sol em ti nascer.”
Escrituras: Não é o pecador que escolhe a Cristo, deixando-o entrar no coração, é o Senhor Deus quem nos escolheu e nos alcançou por meio da santa vocação.

Música: “Quero fazer valer Tua palavra em mim pra que o doente tenha onde se curar.”
Escrituras: Não há em nenhum lugar afirmando que o crente cura as enfermidades alheias simplesmente por viver a Lei do Senhor.

Música: “Eu tô pagando o preço pra morar no céu. Eu tô pagando, eu vou lutando, eu vou chorando, cada detalhe o Senhor está somando.”
Escrituras: O crente é salvo pela graça e não por obras, e ele não vai morar somente no céu, mas no novo céu e na nova terra.

Sutil, mas danoso e devastador. Estes são apenas exemplos do perigo que a Igreja corre ao deturpar as Escrituras e cantar mentiras acerca de Deus e do Seu Reino. O crente precisa temer a Deus e cuidar para que a música não o faça pecar. Ele deve observar o que o Senhor ordena a nós:

“Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.” (Salmo 119.4);

“Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás.” (Deuteronômio 12.32);

“Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” (Apocalipse 22.18,19);

Muitos justificam as afirmações estranhas na letra das músicas destinadas ao culto afirmando que tudo não passa de liberdade poética. Claro que a poesia possui uma linguagem peculiar, os Salmos, por exemplo, demonstram isso, mas não podemos cantar mentiras diante do Senhor em nome da poesia. Cantar o que não encontramos nas Escrituras, fazer afirmações contrárias ao que encontramos na Palavra é utilizar a mentira para tentar agradar ao Senhor da Verdade. É pecar no momento em que a nossa vida deveria estar santificada. Isso é desrespeitar a Cristo em nome das nossas preferências rítmicas e melódicas.

Estejamos atentos a tudo isso. Que a melodia envolvente não seja uma armadilha satânica para que pequemos diante dAquele que deve ser adorado em espírito e em verdade. Devemos cantar SOMENTE as Escrituras no culto, sejamos radicais nisto!


Sola Scriptura

MAS QUE CULTO É ESTE? REFORMADO É QUE NÃO É!

Até a década de 1970 as liturgias utilizadas nos cultos não apresentavam tantos problemas como os que existem hoje. Mesmo no meio pentecostal, considerando as práticas culturais, não se via nada parecido com o que se faz atualmente. Mas há cinquenta anos houve uma enxurrada de esquisitices que começaram a desfigurar ainda mais o culto outrora relativamente simples.

Até mesmo nas igrejas de tradição reformada já se percebe a presença de práticas e costumes estranhos que nada têm a ver com as Escrituras. Isto ocorre porque estas igrejas, embora teoricamente reformadas, na prática utilizam o Princípio Normativo em detrimento do Princípio Regulador, este ensinado nos Símbolos de Fé.

Numa explanação rápida, Princípio Normativo, método proposto por Lutero, baseia-se em dois aspectos. O primeiro, na afirmação de que aquilo que não é proibido nas Escrituras é permitido no culto. Consequentemente temos o segundo que incentiva a utilização dos quatro sentidos humanos por parte da igreja no momento da adoração: a visão (aparatos e indumentária), o olfato (incenso), a audição (ouvir a pregação) e a fala (cânticos, leituras e orações). É por este motivo que o culto de tradição luterana é rico em rituais e na utilização de objetos litúrgicos.

Já o Princípio Regulador, este adotado pela tradição Reformada, afirma que aquilo que não encontramos nas Escrituras deve ser proibido no culto. Para uma compreensão melhor, vejamos o que diz a Confissão de Fé de Westminster sobre o assunto no capítulo 21, item primeiro:

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.

Vejamos também o que afirma a Confissão Batista Londrina, no capítulo 22, item primeiro diz:

A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre todos, que é justo, bom, e faz o bem a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido, de todo o coração, de toda alma, e com todas as forças. Mas a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não descrito nas Sagradas Escrituras.

Portanto, o culto reformado utiliza apenas dois sentidos humanos: a audição (ouvir a pregação) e a fala (cânticos, leituras e orações). Muitos inconformados com esta simplicidade extrema dirão que os sacramentos são manifestações que ensinam por meio da visão. De fato, isto é totalmente verdadeiro. Todavia, quem instituiu os sacramentos foi o Senhor Jesus, por isso devem ser realizados, lembrando que não há mais nada além dos sacramentos como didática visual litúrgica, ou seja, a existência dos sacramentos não justifica a inserção de outras ações visuais que o Senhor não determinou.

Neste sentido, embora haja exceções, muitas igrejas reformadas no Brasil são muito mais influenciadas pela tradição luterana do que pela tradição reformada. E para provar isso, trago apenas algumas práticas da atualidade que passaram a fazer parte do culto, mas que não são ordenadas por Deus nas Escrituras com respeito ao culto cristão.

1. A indumentária: A vestimenta parece ocupar um lugar de destaque nos cultos solenes de algumas igrejas quando o pregador deve aparatar-se para dirigir o culto ou para expor as Sagradas Escrituras. Refiro-me ao uso obrigatório da toga, da gola clerical ou do terno e gravata, pois caso não esteja assim vestido, o liturgo e o pregador são proibidos de subir ao púlpito para desempenhar o seu ministério. Nada contra estas vestimentas em si, são até elegantes, também não se está defendendo aqui o relaxamento ou a displicência no traje, pois há a necessidade de se estar decentemente trajado para a ocasião do culto como forma de respeito ao Senhor Deus e aos demais presentes. O problema é quando o liturgo e o pregador se destacam dos demais por aquilo que está trajando. É claro que encontramos regiões no Brasil onde a utilização do terno e gravata é bastante comum quando a maioria dos homens vai assim trajada para adorar, neste caso, não há problema algum o pregador estar vestido assim uma vez que não há distinção ou exclusão diante dos demais presentes na congregação. O problema é quando vamos a certas regiões do Brasil onde o calor ou os costumes locais impedem a utilização do terno e gravata, neste caso, o traje se torna um elemento distintivo e até mesmo excludente. E isto é um equívoco diante da simplicidade requerida no momento da adoração.

2. Avisos e saudação aos visitantes: Em muitas igrejas são comuns os avisos e saudações como parte da liturgia. Mas se pensarmos que o culto deve conter somente aquilo que glorifica ao Senhor Deus pela centralidade de Cristo, pergunto: em que adoramos a Cristo ao trazer informes e saudar os visitantes? Ninguém pode negar a quebra do ritmo da adoração e da glorificação do Criador. Ninguém pode negar que há a descentralização de Cristo para a centralização do homem. E isso em nada glorifica a Deus no momento da liturgia.

3. Imagens de fundo na projeção das músicas: Na projeção das músicas por meio do projetor multimídia, imagens são utilizadas como “pano de fundo”. São lindas paisagens, flores, plantas, pequenos animais, Bíblias abertas ou, lamentavelmente, imagens de Cristo ou do Espírito Santo representado por uma pomba (numa quebra frontal do segundo mandamento). Tais imagens tiram a atenção de muitos que se desconcentram daquilo que estão fazendo. Em vez de focarem o coração e a mente na adoração, se distraem ao admirar a beleza da imagem projetada. Isto é uma quebra da concentração naquilo que é o principal quando a distração surge por causa daquilo que é absolutamente desnecessário.

4. Pantomimas e encenações: Muitos pastores amam aplicar a exposição das Escrituras utilizando o recurso da pantomima ou do teatro sob a alegação de que a compreensão da mensagem deve ser facilitada. Todavia, excetuando a ministração dos sacramentos de Cristo, nada mais deve ser encenado no culto, uma vez que estas encenações retiram a solenidade geradora do temor e do profundo respeito diante da presença especial do Senhor Deus cultuado. Ou seja, o teatro e a pantomima são muito mais entretenimento do que comunicação das Escrituras adequada ao culto solene.

5. Culto Infantil: Outra prática estranha às Escrituras é o conhecido culto infantil. A justificativa é uma só, a criança não pode assimilar a pregação e, ao mesmo tempo, deve ser treinada a se comportar no culto dos adultos. Temos que reconhecer que a presente justificativa para esta prática não é bíblica, mas psicopedagógica. E esta imposição ocorre em detrimento da ordem do Senhor que deseja a presença das crianças no culto solene inteiro, e não só das pequeninas, mas também das que ainda mamam (2 Crônicas 20.13; Josué 8.35; Ne 12:43; Joel 2:15). Portanto, retirar as crianças do culto para um lugar à parte é totalmente estranho ao Evangelho.

Diante do exposto, quero concluir com duas afirmações. Primeiro, desafio os defensores de algum item acima descrito para que apresentem textos nas Escrituras Sagradas que justifiquem tais costumes. Lembrando que o nosso princípio como crentes reformados é o Princípio Regulador (não faz parte do culto aquilo que Deus não ordenou). Segundo, afirmar que o problema destas inserções ocorre porque se convencionou que estas “em nada ferem o objetivo principal da adoração, pelo contrário, auxiliam no decorrer da liturgia” é um erro do ponto de vista da doutrina reformada. Ao contrário, constataremos que as Escrituras e os Símbolos de Fé são violados naquilo que regulam quando se insere aquilo que o Senhor não determinou.

Sejamos honestos, se somos confessionais, então devemos ser criteriosos em tudo que fazemos no Reino de Deus, principalmente quando reunimos a Igreja no dia do Senhor para adorá-lo.


Sola Scriptura.

ENTÃO É NATAL...

Muito se discute sobre a comemoração do Natal quando igrejas realizam apresentações, encenações ou mesmo o culto natalino. Reconheço que o tema não é simples de se resolver uma vez que muitos cristãos estão divididos acerca do tema. Por exemplo, não nego que haja elementos do Evangelho envolvidos na celebração natalinas e é nesta constatação que se apoiam os defensores do 25 de Dezembro e das comemorações que circundam esta data. Mas seria isto suficiente para justificar o envolvimento das igrejas com as celebrações natalinas? Tentarei responder a esta pergunta ao longo deste texto reconhecendo, claro, que o terreno é minado. Também sei que haverá todo tipo de reação e, neste sentido, lamento por aqueles que se sentirem ofendidos, embora não seja esta a minha intenção principal. Desejo apenas ser o mais honesto possível com o objetivo de promover a reflexão e o debate respeitoso sobre o assunto.

Inicio citando a intrigante frase atribuída a Orígenes que diz:

"... não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo".[1]

A frase acima evidencia a ausência da Missa do Galo ou de qualquer serviço religioso natalino até meados do século III, época de Orígenes. A própria Igreja Católica Romana entende que:

Quanto à data tradicional de 25 de Dezembro, já adoptada em Roma no ano 336, terá sido escolhida como forma de substituir, por uma festa cristã, a festa pagã do Natalis Solis Invictis, instituída pelo imperador Aureliano, em 274, celebrada no Solstício de Inverno, 9 meses depois do Equinócio da Primavera, a 25 de Março, segundo o Calendário Juliano. Na Igreja do Oriente, o Natal, como manifestação ou “Epifania” de Jesus, celebra-se no dia 6 de Janeiro; e mesmo hoje, em alguns países, como a Espanha, é neste dia que se trocam as prendas de Natal.

E o Natal como um todo? Bem, não são mais novidade os argumentos sobre a origem pagã dos festejos natalinos, já escrevi sobre isto. Todavia, eu os trago de volta para reforçar o meu argumento.

A data do 25 de Dezembro é explicada por Schaff-Herzog que diz:

As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século IV os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo Império e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século IV) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal a festa de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria muito especial. Agradava ao povo. Não deveria ser suprimida.[2]

A isto foi acrescentada a Missa do Galo uma vez que nos festejos pagãos que antecederam as comemorações natalinas a ave era vista como aquilo que anunciava com o seu canto o nascer do sol, divindade venerada após o longo período de inverno.[3]

Há quatro símbolos indeléveis nas festividades natalinas: a árvore, a guirlanda, o presépio e o Papai Noel. Vamos resumidamente avaliar cada um.

A árvore de Natal é amplamente utilizada em Dezembro embora não haja nenhuma ligação com o Evangelho de Cristo. Não há uma referência sequer no Velho ou no Novo Testamento que ordene ou incentive a utilização deste símbolo. Pelo contrário, como a árvore era local de adoração pagã ou era ela mesma adorada por muitos povos da antiguidade na época do Velho Testamento, Moisés advertiu o povo dizendo:

Moisés disse ao povo: —São estas as leis e os mandamentos a que vocês deverão obedecer todo o tempo que viverem na terra que o SENHOR, o Deus dos nossos antepassados, vai dar a vocês. Depois de expulsarem os povos daquela terra, arrasem completamente todos os lugares onde eles adoram os seus deuses, tanto nas montanhas como nas colinas e debaixo das árvores que dão sombra. Derrubem os altares, quebrem as colunas do deus Baal, cortem os postes-ídolos e queimem todas as imagens, para que ninguém lembre mais dos deuses daqueles povos. —Não adorem o SENHOR, nosso Deus, do jeito que aqueles povos adoram os seus deuses.[4]

E ainda:

Não estabelecerás poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do SENHOR, teu Deus, que fizeres para ti. Nem levantarás coluna, a qual o SENHOR, teu Deus, odeia.[5]

O profeta Oséias, séculos depois, registra os mesmos hábitos pagãos ligados à árvore ao relatar que os povos pagãos:

Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.[6]

É inegável o poder simbólico que a árvore exercia na antiguidade, fazendo com que o Senhor Deus ordenasse para que a Igreja no Velho Testamento não imitasse os costumes idólatras.

Mas a nossa velha conhecida árvore com suas cores e luzes tem origem em eventos mais recentes como nos povos nórdicos que adoravam o carvalho como símbolo de Odin e de seu filho Thor. No inverno estas árvores desfolhadas eram enfeitadas com o intuito de preservar a presença das divindades naqueles locais. Já os romanos trocavam ramos na época das calendas de Janeiro como sinal de sorte, costume este que foi adotado na Inglaterra para celebrar o Natal.

Mas foi a partir do século XVII com os alemães – antigos adoradores do pinheiro como ente forte e resistente na época dos rigorosos invernos – que as árvores passaram a ser enfeitadas com frutas, imagens de anjos, estrelas, pequenos brinquedos e velas acesas. Também foram os alemães que colocaram a árvore dentro de casa influenciando os ingleses no século XVIII e, posteriormente, o continente americano.

O uso da guirlanda, totalmente ausente no Evangelho de Cristo, tem origem entre os romanos que já ofereciam ramos como sinal de sorte conforme supracitado. Alguns destes ramos eram tecidos em forma de coroa (estefânia ou simplesmente guirlanda) para serem colocadas nas principais portas como forma de atrair saúde a todas as pessoas da casa, além de ser uma representação dos espíritos da natureza.

Já o presépio, tão comum entre nós, foi inventado no Natal de 1223 por Francisco de Assis que desejava adorar a José, Maria e o próprio Cristo. A encenação, que incluía um burro e uma vaca, era parte ativa na Missa do Galo. Anos mais tarde os nobres católicos passaram a montar a cena nas casas com a finalidade de adorar as imagens ali existentes.[7] O presépio, portanto, fazia parte do conjunto de imagens adoradas pelos católicos romanos.

Papai Noel não é outro senão São Nicolau de Mira da Ásia Menor que viveu no século IV. Sua fama foi disseminada na Holanda que o transformou em patrono da infância. A partir daí as crianças passaram a crer que o santo era responsável pelos presentes que recebiam no Natal. A atual imagem popular do Papai Noel com seu trenó foi criada pela Coca-Cola Company para fins comerciais.

Agora eu pergunto: o que tudo isto tem a ver com o Evangelho de Cristo? Sejamos honestos na resposta: absolutamente nada! E o mais constrangedor é ver tantos crentes defendendo o 25 de Dezembro como comemoração do nascimento de Cristo[8] e adoração por parte dos fiéis[9]. A apologia em favor do Natal é inócua e incoerente uma vez que possui a sua origem no paganismo. Veio de lá dos pagãos e a eles pertence! Esta é a razão porque os povos pertencentes às mais variadas religiões celebram o Natal. Da Venezuela ao Japão, da Papua Nova Guiné à Rússia, do Brasil à Tailândia, todos se encantam e comemoram as celebrações natalinas. Até mesmo os ateus desejam a paz, a harmonia, o amor e a solidariedade resumidos na frase Feliz Natal (felicitação que até hoje não sei o significado). Diante disto tudo alguns cristãos se gastam em afirmar que o Natal é de Cristo. Incoerência histórica numa luta inglória.

Há dois aspectos importantes que considero graves. Na verdade um grave e outro extremamente grave. O primeiro diz respeito à utilização dos símbolos natalinos no local do culto. Árvore enfeitada, guirlandas e presépios são de origem duvidosa. E por mais que os defensores digam que hoje tudo está ligado ao nascimento de Cristo, se fizermos uma análise mais profunda veremos que isso não é verdade. Em qualquer casa, em qualquer templo, em qualquer espaço urbano encontramos estes utensílios que são interpretados como elementos do espírito de natal, seja lá o que isto signifique. Por que então utilizar estes adornos no local da adoração à Cristo, adornos estes que nasceram e permaneceram no paganismo?

Não estou dizendo que a beleza da decoração utilizada no mobiliário urbano, nas lojas ou nos centros de compras não deva ser admirada. O que estou dizendo é que não é de bom tom trazer esta decoração ao local de culto ao Senhor Deus. Árvore, guirlanda e presépio são imagens e ídolos de divindades e do próprio Cristo. É claro que os crentes não adoram e nem veneram estas imagens, eu sei disso. Dificilmente veremos um crente se ajoelhando diante da árvore, da guirlanda ou do presépio. Mas isto não diminui o problema, pois, se pensarmos assim, então não é errado enfeitar o salão de culto com hóstias, com o esquadro e o compasso, com uma réplica da estátua do Cristo Redentor ou com o crucifixo contendo uma imagem de Cristo morto, afinal de contas não serão objetos de adoração.

O segundo e último ponto que considero gravíssimo é a violação do dia do Senhor com apresentações musicais e encenações. O culto solene foi instituído para adorar ao Senhor da forma como ele ordenou. E – a não ser que se aplique o princípio normativo do culto, posição diferente daquela que os reformados defendiam, a saber, o princípio regulador do culto – nada pode substituir o que diz a nossa Confissão de Fé:

A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.[10]

Também creio que os chamados cultos natalinos realizados em qualquer dia da semana são problemáticos por não haver nenhuma ordenança no Novo Testamento sobre este assunto. Mais uma vez lembro que a posição reformada é a do princípio regulador do culto. Além disso, desconfio que a Missa do Galo, de alguma forma, seja a inspiração para esta prática, mesmo que indiretamente.[11]

Como disse na introdução, o assunto não é fácil além de suscita a indignação em muitos que rapidamente rotulam ironicamente a presente posição de neopuritana. Bem, não sou neopuritano, sou apenas alguém que busca coerência nas Escrituras e nos símbolos de fé, além de admirar a piedade puritana do passado. Apenas busco ser criterioso naquilo que as Escrituras ordenam. Isto não significa que nós, crentes, não possamos jantar ou almoçar com familiares e amigos descrentes ou até aproveitar estrategicamente a data para evangelizar pessoas. Assim como podemos utilizar estrategicamente a semana da pátria, o dia da consciência negra, o carnaval, o dia do trabalho, um torneio esportivo e por aí vai, nada contra aproveitar a comemoração pagã do Natal para evangelizar alguém o apresentando ao verdadeiro Evangelho, ao verdadeiro Cristo.

Minha questão central envolve o culto solene e o ambiente onde prestamos este culto, pois o Natal é pagão e não há nada que consiga mudar isto. É o que penso.

Sola Scriptura

Artigos que recomendo para leitura:





[1] The Catholic Encyclopedia: An International Work of Reference on the Constitution, Doctrine, Discipline, and History of the Catholic Church.
[2] The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge.
[3] A origem do nome Missa do Galo é incerta, todavia a presente teoria se harmoniza com a tese sobre a celebração do Sol Invictus.
[4] Deuteronômio 12.1-4 na versão NTLH.
[5] Deuteronômio 16.22,23. O termo traduzido por poste-ídolo é Aserá, entidade ligada às divindades femininas que se confundiam com árvores sagradas.
[6] Oséias 4.13.
[7] O presépio dissemina o falso ensino do Evangelho. Maria e José não estavam rodeados por animais que se encontravam no campo sob os cuidados dos pastores. Tudo indica também que José se hospedou no compartimento da casa destinado a estes animais e não numa gruta. Pelo menos é o que dá a entender o texto de Lucas 2.7
[8] Se a data é omitida pelo Novo Testamento, então porque insistir numa que é falsa?
[9] O mesmo fenômeno ocorre com a páscoa do calendário romano onde há coelhos e ovos de chocolate.
[10] Confissão de Fé de Westminster XXI.5.
[11] O termo Merry Christmas significa literalmente Feliz Missa de Cristo.

CINCO FALÁCIAS SOBRE A ATUAÇÃO FEMININA.

ENFRENTANDO O TEMA

O assunto sobre o papel da mulher na sociedade como um todo, incluindo a Igreja e o lar, não é simples de se tratar. Discussão polêmica, o assunto tem suscitado debates acalorados incluindo acusações injustas quando alguns afirmam que o machismo e a falta de consideração, e não as Escrituras, são a grande referência do tema para aqueles que buscam ser mais criteriosos ao vetar toda e qualquer liderança feminina sobre homens. Os que assim pensam sequer concedem um tratamento mais aprofundado e equânime. Falando nisso, como eu já expressei em outros artigos, o machismo é um pecado covarde que afronta a santidade e o propósito de Deus ao relacionamento entre um homem e uma mulher. Reduzir esta mulher à condição de objeto, fazendo com que seja tratada como propriedade de alguém é desumano e criminoso, é pecaminoso. E contrariando este pecado, as Escrituras apresentam o lugar da mulher e do homem diante de Cristo conforme encontramos em Gálatas 3.25-28:

Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

O mesmo é dito no contexto da intimidade do casal em 1Coríntios 7.3,4:

O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.

Homem é mulher são iguais segundo os dois contextos tratados pelos textos acima. Todavia, o convívio entre o homem e a mulher não se limita a dois estes ambientes apenas. Quando tratamos sobre a função de cada um, não há dúvidas da existência de diferenças estabelecidas na criação antes da inserção do pecado por nossos primeiros pais. Na economia[1] divina, assim como se exige a submissão dos filhos aos pais, pois o contrário seria um absurdo, da mesma forma a mulher se constitui como auxiliadora ao homem que lidera.

Quando Paulo parece enfrentar o problema diante de algumas mulheres que tentavam burlar esta regra, seu argumento é a ordem da criação. Se em momentos diferentes ele usa a imposição da lei em 1Coríntios 14.34,35 e o processo de entrada do pecado no Éden em 1Timóteo 2.14, o argumento criacional está presente em ambas as vezes em que o assunto é tratado:

Porque, na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem. Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa do homem. Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade. (1Coríntios 7.7-10)

Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. (1Timóteo 2.13,14)

Agora vejamos, se a submissão da mulher como doutrina bíblica é consenso, então surge a pergunta: em que contexto aplicamos este princípio? Estaria esta funcionalidade restrita ao lar somente? Podemos aplicar este princípio à sociedade como um todo ou apenas à Igreja? Até que ponto as mudanças culturais da modernidade devem interferir neste assunto?

Essa matéria não é tão fácil, mas eu me atrevo a discuti-la de acordo com aquilo que creio ser a revelação da vontade de Deus nas Escrituras sob a perspectiva de que a cosmovisão bíblica se aplica a toda sociedade e não apenas a alguns setores do Reino de Deus. Também quero ser honesto em dizer que minhas afirmações são diretamente influenciadas pela interpretação que faço das Escrituras conforme o compêndio oferecido pela Teologia Reformada.

A aplicação da funcionalidade existente entre o homem-líder e a mulher-submissa deve ser aplicada a todos os seres humanos por dois motivos simples. Primeiro, o argumento de Paulo sobre o assunto se baseia na criação, momento em que, pelo pacto das obras, o Criador revela os seus mandatos para os seres humanos. Vejamos o que diz Gênesis 2.15,18

Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar(...) Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.

Em segundo lugar, o termo cosmovisão significa visão de mundo, regras que se aplicam a todo contexto humano, o ideal para toda sociedade. Como exemplo disto trago outra cosmovisão muito conhecida, principalmente no contexto escolar e acadêmico, o marxismo. É notório que esta doutrina, baseada em questões econômicas, grassam suas ideias em todas as áreas do conhecimento e das práticas humanas. Não há um espaço sequer da condição humana onde o marxismo não tente decifrar e interferir. E o que significa esta ampla abordagem doutrinária? Significa ter coerência com relação por se tratar de uma cosmovisão vivida e imposta. A mesma coerência deve ocorrer quando se trata da cosmovisão bíblica uma vez que não há como fragmentá-la, não há como estabelecer áreas distintas: Igreja e lar distintos do restante da sociedade. A Lei de Deus é para todos, embora somente os eleitos convertidos tenham amor por ela. Ou se tem uma visão de mundo ou se tem uma visão das partes, fraturada, fragmentada. E, caso haja apenas uma visão das partes, o que vai prevalecer, no final das contas, é o relativismo, mesmo que disfarçado.

ABORDANDO AS FALÁCIAS

Quero apresentar o que chamo de as cinco falácias relacionadas às práticas femininas. Não quero dizer com isso que os defensores de algumas ou de todas estas falácias são sempre intencionalmente mentirosos ou desonestos. O que afirmo é que estas pessoas se baseiam em argumentos frágeis e inconsistentes embora lógicos. São pessoas bem intencionadas, mas que, a meu ver, estão equivocadas. As cinco falácias que me refiro são: A mulher pode pregar sob a autoridade do pastor. A mulher pode exercer o ofício de diaconisa. A mulher pode dirigir a liturgia do culto. A mulher pode exercer autoridade sobre homens na esfera civil. A mulher pode ensinar adultos numa classe bíblica.

Tratemos, então, de cada uma delas:

Primeira falácia: A mulher pode pregar sob a autoridade do pastor.

Este argumento é muito utilizado para justificar a pregação feminina no culto solene. Seus defensores se baseiam no que Paulo diz em 1Coríntios 11.5:

Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada.

Há dois pontos que devem ser considerados aqui. Em primeiro lugar, o assunto tratado por Paulo é sobre a utilização do véu no culto solene e não sobre quem deve pregar na igreja. Sobre se a mulher pode ou não profetizar será tratado mais a frente no capítulo 14 onde este tema é o ponto central (em paralelo com o dom de línguas). Em segundo lugar, não há nesta passagem uma ordem direta, pois esta também virá no mencionado capítulo 14.34,35. Em terceiro e último lugar, quando nos deparamos com um assunto aparentemente contraditório, a regra da interpretação é clara: as Escrituras explicam as Escrituras. Ou seja, a clareza de outros textos ajuda na compreensão e interpretação de afirmações menos claras. É como afirma a Confissão de Fé de Westminter:

A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.[2]

Como exemplo, citarei o comentário de Calvino sobre esta passagem. O reformador escreveu:

Parece-me, no entanto, dispensável Paulo proibir a mulher de profetizar com a cabeça descoberta, uma vez que o faz num outro momento (1Timóteo 2:12) quando veta terminantemente as mulheres de falar na Igreja. Para o apóstolo, portanto, não era permitido às mulheres o profetizar, mesmo com a cabeça coberta. Neste caso, torna-se desnecessário aqui o prolongamento da discussão sobre o uso do véu. Logo, concluo que, ao condenar uma coisa, não significa que o apóstolo tenha aprovando outra, pois quando há a reprovação das mulheres profetizarem com a cabeça descoberta, não há, ao mesmo tempo, a permissão para que o façam sob outras circunstâncias. Paulo está apenas adiando a reprovação do erro para outra passagem, ou seja, 1Coríntios 14. Não há nada de errado nesta afirmação, pois atende ao fato de que o apóstolo exigia a modéstia das mulheres – não só no local onde se encontrava a Igreja reunida, como também em qualquer outro ajuntamento digno, seja de senhoras, seja de homens, como acontecia de vez em quando no interior dos lares.[3]

Não fica dúvida de que este modo de interpretar o trecho de Paulo em 1Coríntios 11.5 anula qualquer tentativa de se justificar a pregação feminina no culto solene, mesmo sob o pretexto de que a suposta pregadora esteja debaixo da autoridade de um pastor[4]. Afinal de contas, se uma mulher, sob a justificativa de que está debaixo da autoridade da liderança da igreja, prega a Palavra, ela exercerá inequivocamente autoridade sobre os demais ouvintes, não importando se são homens, mulheres, crianças ou líderes. Ela exercerá autoridade de homem, prática condenada por Paulo em 1Timóteo 2.12 quando diz: “E não permito que a mulher (...) exerça autoridade de homem...” A fragilidade do argumento em favor da pregação feminina está no fato de que a mulher, em última instância, exercerá autoridade sobre seus ouvintes, contrariando o ensino claro do apóstolo Paulo a respeito deste assunto.

Conclusão: não existe, segundo as Escrituras, nenhuma condição que autorize a mulher pregar no culto solene, nem mesmo 1Coríntios 11.5.

Segunda falácia: A mulher pode exercer o ofício de diaconisa.

Há uma grande diferença entre o ofício diaconal e a prática diaconal. O ofício diaconal transforma um crente em um oficial da igreja por meio da imposição de mãos, o que demanda certa autoridade sobre os demais crentes. A prática diaconal pode ser exercida por qualquer pessoa, seja homem ou mulher.

Agir como diácono é agir como quem serve. Neste sentido, o Novo Testamento reconhece algumas mulheres que serviam a Cristo e à Igreja (Mateus 27.55; Marcos 15.40,41; Lucas 8.2,3; 10.40; João 12.2; Romanos 16.1 etc.; os verbos trazem o significado de “agir como diácono”). Embora estas servas de Deus tenham agido de forma diaconal, não há uma menção sequer de que tenham sido consagradas ao ofício diaconal, uma vez que esta função só poderia ser realizada por homens. Isto fica claro quando Paulo traz as características do homem que deveria exercer este o ofício, tendo, inclusive uma esposa que o auxiliasse com toda submissão e modéstia, características requeridas a todas as mulheres crentes.

Em 1Timóteo 3.8-13, Paulo os chama de diácono os homens crentes candidatos ao ofício, mas quando trata das mulheres crentes, ele as identifica com o termo mulheres, além do fato de que a expressão: “Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo.” antecede imediatamente à recomendação que trata da família do candidato ao ofício diaconal: “O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” Se há uma ligação entre os termos mulheres do verso 11 e mulher do verso 12, logo Paulo está recomendando que a esposa do candidato ao ofício diaconal o auxilie no futuro ministério sem, contudo, ter sobre ela o oficialato.

Se assim for, parece-nos antibíblico uma mulher exercer o cargo de oficiala dentro da igreja. Conclusão: nenhuma irmã pode ser consagrada ao ministério diaconal pela imposição de mãos, nem ser vista como diaconisa dentro daquilo que o termo significa, embora não seja proibida de servir à Igreja com submissão e modéstia.

Terceira falácia: A mulher pode dirigir a liturgia do culto.

Um dos costumes mais disseminados nas igrejas hoje em dia é o conhecido Ministério de Louvor. Este costume tem seu início no final da década de 1960 e se fortaleceu a partir da segunda metade da década de 1970. Mas é na década de 1980 que há uma explosão do chamado Grupo de Louvor fazendo com que muitas igrejas-comunidades nasçam embasadas unicamente nesta prática musical em detrimento, muitas vezes, da pregação fiel da Palavra. Nesta inversão das prioridades cúlticas, a música passa a ser o centro e não mais a exposição fiel das Escrituras.

Dentro deste contexto, vitalizado pelo comércio e consequente proliferação das antigas Fitas K7, discos de vinil, CDs e, mais recentemente, o DVD, o Blue-Ray e o MP3, foi criado o cargo de Ministro de Louvor, isto é, do dirigente que possui a responsabilidade de ministrar à igreja presente entre uma música e outra. Ocorre que este cargo passou a ser ocupado, tanto por homens como por mulheres. E mesmo que o momento de cânticos do chamado Grupo de Louvor no culto seja apenas uma pequena parte do tempo total, neste momento mulheres passam a dirigir a liturgia incluindo as ministrações exortativas e didáticas.

Deixo claro que minha questão não é discutir aqui sobre modelos ou formas de liturgia[5], reservo isto para outro momento, minha questão aqui é discutir sobre o fato das mulheres estarem dirigindo a liturgia, ou parte dela, sob o pretexto de que são ministras ou simplesmente dirigentes de louvor. Muitos defensores desta prática dizem que estas dirigentes agem sob a autoridade do presbítero ou do pastor da igreja. Bem, a contra-argumentação segue na mesma direção daquilo que foi exposto no item primeiro, ou seja, mesmo que haja a justificativa de que o lugar da dirigente está sob a autoridade da liderança, ainda assim, esta dirigente exercerá autoridade sobre os demais presentes, incluindo a própria liderança.

Paulo, em 1Timóteo 2.12, ordena que a mulher está proibida de exercer a autoridade destinada aos homens. Isto inclui, por inferência, a direção total ou parcial da liturgia, pois desde o Velho Testamento, o culto sempre foi dirigido por homens como responsabilidade dada por Deus, e não há nenhuma afirmação no Novo Testamento que modifique este princípio. Conclusão: o dirigente principal do culto solene, que eu prefiro chamar de liturgo, deve ser somente um homem habilitado para tal.

Quarta falácia: A mulher pode exercer autoridade sobre homens na esfera civil.

Este talvez seja o ponto mais controverso entre os crentes que afirmam subscrever a Teologia Reformada, incluindo aqueles que defendem o cultivo e disseminação de uma cosmovisão bíblica. Este tema não é novo, eu mesmo já escrevi sobre este assunto falando acerca da impossibilidade de uma mulher assumir o cargo da presidência da república. Todavia, desejo aqui ampliar a discussão e acrescentar toda e qualquer posição de autoridade exercida por uma mulher sobre homens, quer na política, quer no trabalho ou em qualquer outro ambiente da sociedade que exista para além da Igreja e do lar.

Já argumentei no início deste texto que a funcionalidade entre o homem e a mulher foi determinada nos mandatos divinos contidos no pacto das obras antes de o pecado entrar na humanidade, haja vista que Paulo embasa seu argumento sobre o homem-líder e a mulher-submissa na criação antes da queda, o que significa que tais mandatos são para a sociedade como um todo não apenas para parte dela como a igreja ou o ambiente familiar.

Em meu argumento quero utilizar dois textos da Palavra de Deus. O primeiro é a narrativa de Débora e de Baraque quando nesta exceção soberana do Senhor Deus aconteceu a desonra deste homem. Isto pode ser visto nas palavras de Débora em Juízes 4.9 ao discorrer sobre a libertação do povo de Deus por meio da ação de Baraque que, covardemente, afirma que só iria para o campo de batalha acompanhado por ela:

Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes.

A humilhação não ocorre somente porque Baraque roga para que Débora o acompanhe ao campo de batalha, ocorre também porque Sísera morre, não pela mão de um homem guerreiro, mas pela mão de outra mulher, Jael. A desonra dos homens representados por Baraque é clara demonstrando que o mesmo ocorre quando mulheres assumem o papel que aos homens pertence.

Com relação ao cargo de juíza ocupado por Débora, é importante mencionar que uma pessoa nesse tempo só era vista como juiz sobre o povo após ser reconhecido como libertador por meio de ações militares. Isto é, primeiro este alguém deveria vencer uma batalha e vencer os inimigos, assumindo a posição de libertador do povo de Israel para, em seguida, ser visto como juiz capaz de julgar as causas do povo. O caso de Débora é totalmente sui generis, uma absoluta exceção, pois primeiro ela julga para depois participar da batalha cujo objetivo é a libertação do povo contra a coalizão cananéia. Por esta linha de interpretação, Débora desejava que Baraque assumisse este posto de juiz ao incentivá-lo para a batalha, mas a atitude de Baraque retira esta honra de sobre si, trazendo a desonra, uma vez que não confiou em Deus, mas numa mulher.

O segundo texto que trago o texto de Isaías 3.1,8,9,11-14, que diz:

Porque eis que o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, tira de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio, todo sustento de pão e todo sustento de água; (...) Porque Jerusalém está arruinada, e Judá, caída; porquanto a sua língua e as suas obras são contra o SENHOR, para desafiarem a sua gloriosa presença. (...) O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos. (...) Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram. Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres estão à testa do seu governo. Oh! Povo meu! Os que te guiam te enganam e destroem o caminho por onde deves seguir. O SENHOR se dispõe para pleitear e se apresenta para julgar os povos. O SENHOR entra em juízo contra os anciãos do seu povo e contra os seus príncipes. Vós sois os que consumistes esta vinha; o que roubastes do pobre está em vossa casa.

O contexto é claro quando mostra o juízo de Deus contra o povo. E uma das várias ações divinas que demonstram o duro julgamento está contida na frase: “mulheres estão à testa do seu governo”. Como se não bastasse o caos de uma nação sem rei, sem guerreiros, tomada por opressores e por líderes corruptos e infantis, mulheres encontram-se à frente como chefes do governo. Neste caso, a conclusão é simples, quando mulheres assumem o posto que, por direito criacional pertence aos homens, significa que o juízo de Deus desceu do céu e se instaurou sobre a nação.

Minha conclusão sobre o que vimos acima é simples, nenhuma mulher deve assumir o posto de liderança sobre homens porque se assim fizer trará desonra e demonstrará a presença do juízo de Deus. É obvio que o mundo situado no maligno faz pouco caso sobre este assunto, mas para nós que somos de Deus trata-se de uma questão que deve ser, pelo menos, refletida com profundidade e temor. E para auxiliar um pouco mais nesta reflexão faço os seguintes questionamentos: qual o homem de Deus gostaria de ver sua esposa como presidente da república, governando a nação? Ou como oficiala do exército comandando diretamente dezenas de homens? Ou como chefe de uma grande repartição chefiando vários funcionários? Ou como delegada de polícia vociferando sobre policiais e bandidos? Ou como alta funcionária pública mandando sobre homens subordinados? Ou ainda, qual o homem de Deus gostaria de ver sua esposa como parlamentar decidindo sobre seus comissionados? Se sua resposta for “nenhum” então você concorda com o que defendo até aqui.

Quero ampliar a discussão trazendo uma ilustração. Suponhamos que um casal de crentes está relaxando sobre a cama ouvindo uma música suave; ele presbítero e ela membro comungante da igreja. Inesperadamente o celular da esposa toca e a partir daí um diálogo tem início com um subordinado ao cargo exercido por ela na empresa. A conversa ocorre sob forte tensão e a mulher começa a dar comandos com extrema firmeza por meio de reprimendas e cobranças ao tal sujeito do outro lado da linha. Em seguida, metas são estabelecidas para que o funcionário do outro lado da linha as cumpra dentro de prazos estabelecidos. A autoridade no tom de voz e na maneira de se comunicar salta aos olhos e aos ouvidos do marido que permanece passivo, como mero espectador daquela cena. Por fim a conversa acaba e o telefone celular é desligado fazendo com que a música suave volta a ser ouvida por não mais ser superada pelo firme tom de voz da esposa que agora se vira e olha para o marido e desabafa: “Ai! Não é fácil ser chefe de departamento na empresa, tenho que lidar com tantas pessoas incompetentes?!” Ao ver o olhar do marido, ela percebe toda a situação criada pelo telefonema e, tentando amenizar diz: “Oh, meu querido, ainda bem que aqui em casa e na igreja estou debaixo da autoridade dos homens...”

O que este marido crente e presbítero pensaria sobre este contraste vivenciado entre o lar, a igreja e o tipo de trabalho da esposa? Esta narrativa fictícia elucida sobre a funcionalidade ordenada por Deus ao homem-líder e à mulher-submissa, funcionalidade esta que não se restringe somente à Igreja e à família, mas atinge todo o espaço social ao redor de nós. Repito, se esta ilustração o incomoda, então no mínimo você caminha na mesma direção em que eu caminho. Conclusão: de acordo com a economia divina, não há nenhum lugar na sociedade onde seja permitido à mulher exercer autoridade sobre homens.

Quinta e última falácia: A mulher pode ensinar adultos numa classe bíblica.

Muitos não vêm problema quando uma professora coloca-se à frente de uma sala de jovens ou de adultos para ensinar a Bíblia no ambiente da Escola Dominical. O argumento é simples, como há uma diferença entre o culto solene e a Escola Dominical, então concorda-se que lá no culto a mulher não pode dirigir nem pregar, mas aqui na escola não há problema quando uma irmã piedosa ensina numa sala repleta de homens.

Com relação ao argumento acima faço duas considerações. Primeiro, os argumento é verdadeiro quando estabelece uma diferença importante entre a Escola Dominical e o culto solene. Não podemos confundir o momento em que a família de Deus se reúne para cultuar ao Senhor com um momento didático cujo objetivo é o aprendizado da Bíblia. E digo mais, uma igreja não estaria pecando contra Deus se transferisse a Escola Dominical para qualquer outro dia da semana ou mesmo se a eliminasse praticando apenas o culto solene no dia do Senhor, embora eu concorde que tal atitude em muito prejudicaria os crentes, retirando deles a oportunidade de estudar em grupo a Palavra de Deus no Domingo. A segunda consideração que faço é que há um grande equivoco na derivação do argumento supracitado quando, em nome dessa diferença, seja dado às mulheres o direito de ensinar aos homens. Mais uma vez recorro ao texto de Paulo em 1Timóteo 2.12: “E não permito que a mulher ensine...”.

Mas há outro texto de Paulo que quero utilizar aqui para ampliar os fulcros do meu argumento. É o que está escrito em Tito 2.3-5

Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.

Este texto reconhece que as mulheres podem receber de Deus a capacidade para ensinar, de serem boas professoras, ou como Paulo afirma, de serem mestras do bem. Mas a quem estas mestras devem ensinar? Hoje muitos diriam que a qualquer sala mista de jovens e adultos da Escola Dominical. Mas não é isso que Paulo escreve. O apóstolo deixa claro o alvo deste ensino são outras mulheres pouco experientes no trabalho voltado ao lar. Logo, não se nega a existência de mulheres mestras, a questão é o público alvo deste ensino, e neste aspecto as Escrituras não deixam dúvidas.

E por que o apóstolo não indicou homens como alunos das mestras do bem? Justamente porque Paulo não poderia ferir o princípio imposto por ele mesmo sobre a impossibilidade de existir mestras de homens. Conclusão: nada nas Escrituras justificam o ensino por parte da mulher aos homens na Escola Dominical ou em qualquer outro contexto.

CONCLUSÃO

Devido à complexidade do assunto, termino este texto citando 1Coríntios 2.14 que diz:

Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

Vejo com tranquilidade que os argumentos tratados até aqui são loucura para os incrédulos. Já para os crentes, pelo menos, deveria ser motivo para uma reflexão cheia do temor do Senhor. Tratar sobre o papel da mulher no lar, na Igreja e na sociedade como um todo não é tarefa fácil, embora o desafio seja honroso. O que tentei até agora não foi outra coisa senão apenas usar de honestidade com aquilo que creio estar nas Escrituras e nos Símbolos de Fé que subscrevo. Espero de coração que a reflexão provocada por minhas palavras aconteça ao redor da vontade divina revelada e que, em tudo, o nome de Deus seja glorificado.

Não posso encerrar sem antes fazer um reconhecimento. Quero distinguir, honrar e louvar a atuação feminina como auxiliares de Deus aos homens crentes em todos os momentos e em todos os lugares. Deus tem capacitado suas eleitas ao longo da jornada da Igreja para que sejam benevolentes e servas abençoadas. A mulher, representada na pessoa de Maria, possui o privilégio de ter sido instrumento exclusivo para a vinda do Salvador a esta terra. Que privilégio, como Deus ama as mulheres, como são importantes. Daí a grande e séria responsabilidade dos homens em liderá-las biblicamente por meio do cuidado e do serviço a cada uma delas, sempre atentos para não pecarem contra Deus e, consequentemente contra as mulheres por meio da omissão, da preguiça, da covardia, ou ainda por meio da brutalidade, da violência e do descaso. Quanto às servas de Deus, mulheres de valor, rogo para que todas tragam no coração e na mente as palavras de Maria registradas em Lucas 1.38:

Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.

Sola Scriptura




[1] Uso o termo aqui, não com conotação financeira, mas em seu significado etimológico: οικονομία, ou seja: οικος = casa e νόμος = lei, regra, logo, regra doméstica.
[2] Confissão de Fé de Westminster I.9.
[3] CALVIN, John. Comentary on Corinthians. Grand Rapids: Christian Classics Ethereal Library. Vol. 1, s/d, p. 298 [tradução minha]
[4] Para uma discussão mais aprofundada, recomendo: CRAMPTON, Gerry. The Bible and women teachers. (www.trinityfoundation.org); CLARK Gordon H. First Corinthians (www.trinityfoundation.org); WARFIELD, Benjamin. Paul on Women Speaking in Church. (www.bible-researcher.com).
[5] Lembrando que há atualmente três tipos gerais de liturgia nas igrejas: o modelo tradicional, o modelo contemporâneo e o modelo puritano.
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